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7.4.09

[Ventos de Nordeste] MSE

3. Comboios na Holanda

08/10: Arlanda, Sverige -> Amsterdam Airport Schiphol, Nederland (avião: voo SK 1555 da Scandinavian Airlines)

Kings Of Convenience – Sorry or Please

Chegados a Schiphol, levanto-me do meu lugar e tirando a mochila volumosa do compartimento superior ponho-me a andar. Oriento-me por entre as indicações em holandês e inglês e a impressão imediata com que fico é que o holandês não é assim tão diferente do alemão e até tem algumas semelhanças com o sueco. Sem muito para fazer e com alguma pressa (pois tinha planeado a viagem de comboio até Nijmegen à tabela), sigo para as saídas.

Nos tapetes para a recolha das bagagens há máquinas automáticas de venda de bilhetes de comboios, sinal de que os holandeses levam muito a sério os seus comboios. Ligo para os meus amigos para ter a certeza da estação em que devo sair. Recebidas as últimas instruções, compro o bilhete até Nijmegen e passo pela alfândega, em busca dos comboios.

O aeroporto de Schiphol é muito grande, com 3 terminais e imensas ramificações de onde partem aviões de passageiros e de carga para todo o mundo. De todos os aeroportos que já passei e que me lembro, este deve ser dos maiores, só comparável ao de Frankfurt e ao de Madrid-Barajas desde que o novo terminal foi inaugurado. Fico impressionado com a facilidade de movimentos das pessoas por entre tantas lojas, cafés, restaurantes, terminais, ligações de voos (os balcões para fazer o check-in de ligação são raros e as pessoas são encorajadas a fazê-lo nas máquinas existentes para o efeito) e deixo que as indicações para a estação de comboios me levem sem discutir.

A estação de comboios de Schiphol é dentro do próprio aeroporto e só se precisa de atravessar as portadas para se perceber o grau de integração de transportes na Holanda. Inúmeras escadarias descem para os túneis das linhas que ligam o principal aeroporto da Holanda a todo o país e ao estrangeiro (Alemanha, Bélgica, França e Luxemburgo). Procuro a linha para Utrecht e desço para o respectivo túnel.

Schiphol -> Nijmegen (comboios InterCity: 17h44 nas linhas 1-2 para Utrecht Centraal. Chegada a Utrecht às 18h17 na linha 15; 18h23 na linha 14 para Ede-Wageningen. Chegada a Nijmegen às 19h21 na linha 3b)

As horas dos comboios descritas acima são as que tinha retirado do site da Nederlandse Spoorwegen (a CP lá do sítio). Tinha planeado apanhar os comboios todos meia hora mais tarde mas como me despachei mais depressa do que julgava acabei por estar à frente do meu horário. Hesitante entre apanhar o comboio para Utrecht e ver no que dava ou esperar meia hora para ficar de acordo com o plano, deixo que o impulso me empurre para dentro do comboio e esperar que as ligações se mantenham.

Procuro um lugar para me sentar e, sempre com a minha mochila debaixo de olho, acabo por arranjar um lugar à janela, onde fico a ver a paisagem verde espraiar-se. Não é o mesmo verde que o da Suécia umas horas antes, até porque o sol começa a descer no horizonte. A minha primeira impressão destes comboios é que facilmente poderiam ser os comboios suburbanos de Lisboa: silenciosos, cheios mas sossegados. As pessoas não são tão indiferentes aos companheiros de viagem como na Finlândia, mas dão espaço e privacidade suficientes para que se faça uma viagem tranquila.

Oiço, por cima da música que toca alegremente no meu iPod (omnipresente, como é óbvio), qualquer coisa sobre a próxima estação e leio no painel que se aproxima a estação de Amsterdam Bijlmer ArenA, estação que serve o estádio do Ajax, a Amsterdam ArenA. Como qualquer adepto de futebol, não fico indiferente à presença do estádio de um dos clubes mais emblemáticos do futebol mundial que nos trouxe jogadores como Cruijff, van Basten, Bergkamp, entre outros.




Saio em Utrecht à hora prevista nas minhas contas (viagem de 32 minutos) e só preciso de andar 2 metros para mudar de linha e esperar uns minutos para que chegue o comboio que me leverá à próxima etapa desta saga. Entro no comboio que chega à tabela e vejo o verde escurecer com o avançar do dia. Atravesso cidades pequenas e grandes, vilórias desconhecidas e pontes sobre rios largos e pequenos. As pessoas vão entrando e saindo, sem grandes confusões, e vou escrevendo na moleskine apontamentos para eventualmente os escrever aqui. Já muitas músicas tocaram nos auscultadores, devo estar a chegar. O comboio começa a travar ao atravessar Nijmegen-Lent e a próxima estação deve ser a minha. Oiço Nijmegen e, como eu, muitas pessoas levantam-se e dirigimo-nos para a saída. Contente por ter acertado nas minhas previsões e por saber que me consigo orientar em 3 países diferentes tão facilmente, saio da estação e procuro a estação de autocarros.

The Doors – Alabama Song (Whiskey Bar)

Na estação de autocarros, espero pacientemente na linha J pelo autocarro nº 6 que me levará a Malvert. Os autocarros em Nijmegen têm um monitor onde está a lista de paragens mas o deste não estava a funcionar. Tive então que perguntar ao condutor pela paragem de Vossendijk que não existia mas lá dei por mim a sair do autocarro com um casal de velhinhos muito simpático que me apontam a direcção de Vossendijk. Deixo-os ir à vida deles e aguardo numa espécie de centro comercial. Mensagem para os meus amigos a dizer que já estou no sítio combinado e começo a ouvir vozes familiares, vozes portuguesas.

Encontro-me então com o Sérgio, a Sofia, o João e o Óscar e, como bons portugueses, fazemos uma grande festa ali mesmo no meio das ruas vazias; tinham ido fazer as compras para o jantar de mais logo e aproveitaram para me apanhar. Os três rapazes estão a fazer Erasmus em Nijmegen; a Sofia, namorada do Sérgio, está em Bruxelas mas, como eu, veio para a Holanda porque são os anos do Sérgio à meia-noite. Vamos para os apartamentos onde vivem e fico a conhecer uma realidade de residências Erasmus bem diferentes da minha: os prédios, de imensos andares, têm um estacionamento de bicicletas (claro), cada andar tem dois blocos fechados por portas com fechadura e apenas quem tem a chave pode entrar. Cada bloco tem um espaço comum com uma cozinha e uma sala e casas de banho também comuns. Cada quarto tem um chuveiro próprio com um lavatório e uma janela enorme com vista para o parque, onde ao fundo se vê a Radboud Universiteit de Nijmegen.


Conheço ainda a Maria João, a namorada do João, e o Tommi (italiano), o Clément (francês) e o Jason (americano) que se juntam a nós para festejarmos os anos do Sérgio. Aqui e ali, todas as festas Erasmus são iguais: o simples facto das pessoas serem de países diferentes (e nem assim tão diferentes) dá azo a muita conversa e muita animação. E também poder falar português com tanta gente ajuda... A noite avança e o cansaço acumula-se. Em 3 dias, já tinha viajado de tram, barco, comboio, avião e autocarro e as pestanas pesam e as pernas doem. Há ainda tempo para roubar um colchão da área comum para levar para o quarto do Óscar, onde durmo para recuperar as energias. É que no dia seguinte novas viagens de comboios esperam-me, desta vez com destino a Amsterdam.

13.2.09

[Ventos de Nordeste] MSE

2. Dia e meio em Stockholm

07/10: Stockholm, Sverige

Moby - In My Heart



Acordamos cedo e lá nos coordenamos com os banhos para ver se saímos da cabina a tempo de ainda tomar o pequeno almoço a bordo e ver a navegação à entrada de Stockholm por entre as ilhas amortalhadas por uma neblina matinal, ao que parece muito típica.

Atracamos e desembarcamos. Como de costume, a confusão impera quando todas as pessoas tentam chegar mais rápido que as outras aos autocarros e por isso o nosso grande grupo separa-se e demoramos algum tempo a juntarmo-nos todos. Ao fim de algum tempo, voltamos a pegar nas malas e mochilas e pomo-nos a caminho. Andamos uns 20 minutos até ao hotel, em Södermalm (considerada a zona mais pobre de Stockholm, mas mesmo assim com grande qualidade de vida) onde alguns quartos ainda não estavam prontos - como é óbvio, o meu não estava... Deixámos então as malas na sala de bagagens, pegámos em mapas, pedimos para assinalar o nosso hotel e eu e os que estavam no meu quarto saímos para explorar.

A primeira impressão (daquele dia, se calhar!) é de que Stockholm é uma cidade cheia de luz porque as ruas são largas na parte nova da cidade e os prédios com muitas janelas espelham a luz, dando a impressão de um dia de Verão quando na verdade estavam uns 10 graus. Levantamos também dinheiro, as Coroas Suecas (Kronor), cuja taxa era de 1€ para 9,5 SEK.







As duas últimas fotos são do topo de um miradouro de onde se tinha uma vista panorâmica sobre a cidade, desde a foz do rio Norrström às ilhas dispersas que constituem a própria cidade. Depois de descermos do elevador, aventuramo-nos pela primeira vez pela Gamla Stan, a cidade velha.

A cidade velha está construída numa ilha no meio do rio e nota-se facilmente as influências germânicas na arquitectura e no pavimento: as ruas são calcetadas com pedras negras basálticas, à semelhança de Tallinn. O Palácio de Stockholm, residência oficial do monarca, e outros edifícios como catedrais, a Bolsa de valores que funciona no antigo edifício da Svenska Akademien (Academia Sueca), que atribui os Prémios Nobel.





Depois de passarmos pela Cidade Velha, dirigimo-nos para o ponto de encontro com o resto do grupo. Aproveitamos uns minutos de sol enquanto não chega toda a gente e para perceber o que se vai fazer depois. Almoçamos no McDonald's (sempre presente), onde peço num sueco muito aceitável. Depois de repostas as energias, saímos todos num grande grupo onde uma amiga de uma das tutoras que nos acompanharam nos ia gentilmente dar uma visita guiada pela Gamla Stan.

Toranja - Laços





Passamos então pelo edifício da Academia Sueca, bem no centro da ilha. Entretanto começamos a reparar no denominador comum de todos nós: de vez em quando, as pernas tremiam-nos e abanávamos, o suficiente para parecer que estávamos ainda a navegar; esta ocorrência foi denominada, em jeito de piada, como "the new Stockholm Syndrome".


Após nova passagem pela cidade velha, voltámos ao hotel (a tarde já ia a meio) para deixarmos as mochilas nos quartos e aproveitámos para ir tomar um café antes do jantar, para descansar um bocado. Já todos reunidos, dirigimo-nos então para o restaurante onde tinhamos marcado o jantar para cerca de 35 pessoas. Como não cabíamos todos numa mesa, fomos separados e dispersos pelo restaurante, onde acabámos por ficar em pequenos grupos o que permitiu uma conversa agradável e fluida. Jantei uma posta de salmão tão grande e suculenta que parecia um bife do lombo e bebemos todos uma garrafa de vinho branco, tendo pago cerca de 150 SEK (menos de 15€) por tudo e ainda café.

Daft Punk - High Life

Animados, seguimos então para um bar não muito longe do hotel, o que não difere tanto de uma normal terça feira em Helsinki para nós, estudantes de Erasmus. Mas a verdade é que estamos longe da casa longe de casa, e estamos numa cidade nova e celebramos por isso. E celebramos também, à meia noite, o aniversário da Yvonne, tutora que faz 21 anos. Saímos do bar e seguimos para o hotel, onde a festa prossegue num dos quartos e só acaba quando já não houver forças para mais.

08/10: Stockholm -> Arlanda (comboio: Arlanda Express)

Acordamos e assistimos à derrocada dos mercados financeiros na Ásia. Fazemos turnos para tomar banho e arrumar as coisas, mas sempre de olho na televisão e ligeiramente apreensivos sobre tudo o que poderá isto trazer, não fôssemos nós estudantes de, entre outras coisas, Economia.

Descemos para tomarmos frukost (pequeno almoço em sueco) onde comemos smörgåsar, bebemos mjölk ou applesinsaft e acabamos com uma boa kopp kaffe (ou para os mais relaxados, uma kopp te). Com a barriga satisfeita, subo para buscar a minha mochila e tirar umas últimas fotografias ao quarto e à cama onde até a esse ponto tinha dormido melhor em Erasmus.




Desco e encontro o restante pessoal no lobby do hotel a caminho do pequeno almoço ou já a sair. Conselhos para coisas a fazer e ver em Amsterdam, exigências de promessas que me divirta, abraços para aqui e beijinhos para ali, lá me vou despedindo. Tempo ainda para mandar mails à pressa para família, amigos na Holanda e em Portugal antes de pegar nas coisas e sair.

Kings Of Leon - Day Old Blue

Saio e encontro o Rafa com o Alex e o Simon à porta do hotel, aparentemente à espera de nada. Pergunto para onde vão e descobrimos que vamos todos para o mesmo sítio. Entramos então no metro e dirigimo-nos para o centro da cidade. Eles iam explorar mais um bocado, eu ia para a Central Station, onde ia apanhar o comboio até ao aeroporto.



Separamo-nos à saída do metro e deixo definitivamente Helsinki para trás e deparo-me sozinho, numa cidade a centenas de quilómetros de distância daquilo que conheço e tenho vivido e a milhares daquilo que sempre fui. Os únicos laços que me ligam à terra são os parcos conhecimentos de sueco, a lingua inglesa e uma folha de papel na mochila que me garantia um lugar no voo que me levaria até Schiphol, na Holanda.



Na estação sigo as setas (está mesmo muito bem indicado) até ao Arlanda Express, comboio que segue directo até ao aeroporto que serve Stockholm, percorrendo os cerca de 40km que os separam em 20 minutos.


Chego ao balcão e peço um bilhete, que com desconto de estudante custa 110 SEK (220 SEK custa um bilhete de adulto sem desconto). Aí deparo-me com um problema: é que só tinha 104 kronor e não queria levantar mais dinheiro sueco e os meus cartões não estavam a ter muito sucesso para pagar coisas nas lojas. Expus o meu problema lá ao homem que me atendeu e ele, muito atenciosamente, levantou-se e dirigiu-se a uma pequena caixa de onde tirou umas moedas. Deu-mas, explicando que as pessoas "sometimes forget their change" e assim já pude pagar o bilhete e embarcar num comboio moderníssimo pequeno (tinha umas duas ou três carruagens) e estreitíssimo (no máximo 3m de largura) mas que atingia 200km/h, como se pode ver na fotografia.





Paisagem vista do comboio, sempre muito verde e alegre. Aproveito para ver as notícias transmitidas em inglês nas televisões do comboio. Chegando ao aeroporto, o comboio entra num túnel que corre por baixo dos terminais e cujas duas estações servem os terminais de vôos nacionais e de internacionais. Apeio-me no dos internacionais e subo as escadas para chegar ao meu terminal, numa mescla de excitação, orgulho, apreensão, liberdade. Consulto nos painéis electrónicos o meu vôo: é só daqui a umas horas. Faço o check-in electrónico (com a referência do meu bilhete electrónico e o meu número de passaporte e que até deu para escolher um lugar de janela!) e percorro, hesitante em como matar o tempo, o terminal, vendo para onde vão os aviões que dividem a pista com o que me há de levar para fora da Escandinávia mais uma vez, sem ser da vez em que a deixaria definitivamente.


Fotografias do aeroporto; todo ele feito de vidro e aço, muito simples e elegante. Enquanto escrevo apontamentos na Moleskine para mais tarde os transcrever para aqui, passam por mim 4 jovens em grupo que não teriam mais que a minha idade e que se parecem comigo: cheios de confiança neles próprios, mochilas às costas, sorriso nos lábios. E mais: de cada uma das suas mochilas, via-se o braço da guitarra wireless do Guitar Hero a espreitar para fora. Aí me ocorreu que já não precisamos de ser estrelas de rock ou de futebol para termos esta vida de numa semana visitar 4 cidades em 3 países diferentes, sempre a andar, sempre a viver. Agora já podemos fazê-lo com a mesma liberdade que os nossos pais com a nossa idade tinham para ir, digamos, jantar fora. Ainda a pensar nisto, dou por mim com fome e procuro onde almoçar. Nada me parece mais apropriado que o Sbarro's, restaurante que me fez as delícias quando visitei New York em plena Times Square. Aumenta o meu fascínio por toda esta facilidade de movimentos (restaurantes para aqui e para lá, amigos em toda a Europa, comboios que me levam a 200 km/h para a terra de ninguém - ninguém para me levar ao avião, ninguém para me esperar do lado de lá) e a pizza ainda me sabe melhor. Antes de me dirigir ao portão de embarque, decido passar pela capela para pedir que tudo corresse bem nesta viagem. A capela ecuménica era pequena e silenciosa, com Bíblias, o Corão e a Torah e onde se podiam acender velas por 10SEK. Como já não tinha dinheiro para isso, fico-me pelas intenções. Confiante de que tudo vai correr bem, abandono a capela. E é no fim de tudo isto e por isto mesmo, que de auscultadores nos ouvidos a ouvir Kings of Leon, de blusão e calças de ganga - qual estrela de rock - preparados para 5 dias sem parar e de pensar em tudo o que poderia correr mal e em como tudo iria correr bem, lá vai o Goga para o avião que o irá levar à Holanda.

21.12.08

[Ventos de Nordeste] Luz e escuridão



As luzes iluminam, nas janelas, o caminho de volta a casa, a salvo da escuridão da Finlândia. Em tempos de progresso, já fica mais fácil voltar para casa e as velas que ardiam pacientemente durante a noite e que atravessavam a escuridão perdem relevância mas não significado. Substituídas por lâmpadas eléctricas em forma de velas, continuam a marcar presença em quase todas as janelas, de quase todos os prédios.

Para nós, estudantes Erasmus, são as luzes que nos iluminam o caminho de volta para os respectivos ninhos nos respectivos países. Porque chegou a altura de se acabarem os voos, chegou a altura de voar até casa e recolher a cabeça debaixo da asa e dormir num sono prolongado, onde poderemos sonhar e suspirar por outros voos.


19.12.08

[Ventos de Nordeste] Postas de pescada



Porque demoro tanto tempo a escrever um post?

Porque, sendo um dos seres humanos mais curiosos que conheço, sempre que abro a Wikipedia para pesquisar um qualquer artigo, demoro-me horas a abrir artigos paralelos ao necessário para a posta que intendo a publicar.

Porque no YouTube me entretenho a ver vídeos de outros intérpretes e artistas sem ser pragmático o suficiente para escolher o que necessito e ficar-me por esse.

Porque gosto de especular e questionar-me se um post terá a necessária informação de fundo relevante e necessária para que a 4101 km de distância me percebam e entendam.

O facto de estar tão longe e tão perto não invalida o facto de viver uma esperança de um futuro que junte as melhores experiências das duas vivências, mas para isso vou ter que lutar.

Até lá, Natal em família e passagem de ano com amigos portugueses!

Mas a verdade é que os verdadeiros dias de Dezembro são vividos com os amigos criados em pouco mais de meia dúzia de conversas, vivências inesperadas, expectativas de saudades goradas, imaginação solta e recomendável...

Porque depois de voltar será um duro choque de regresso à realidade. Já me imagino a conduzir nas Forças Armadas ou no Eixo Norte-Sul e a desesperar por um lugar na Marquês de Tomar; a embasbacar-me pelos preços ínfimos de uma cerveja no Bairro Alto, comparado com a Finlândia, a perenamente surpreender-me com a disposição de amigos em ir apanhar-me ao aeroporto, mesmo sabendo que pouco ou nada fiz para manter a amizade...

Quero voltar mas ainda assim quero saber se posso voltar...


[Ventos de Nordeste] Horas



A 76 horas de voltar a Portugal, resta-me alegrar pelas lágrimas que causo, pelas memórias que deixo, pelas canções que empreendo.

A tempo suficiente de voltar, a tempo de deixar marcas nesta terra, neste país, nesta vida.

Adeus amigos, adeus que me vou. Adeus Finlândia, adeus Suomi, adeus mas até já nas memórias!

Há ainda tempo para mais, espero. Há, certamente, tempo e espaço para aventuras e desventuras. Porque tudo o que me espera em Portugal se vai orgulhar do que aprendi, vivi, fiz, conheci, experimentei...

Quase, quase a voltar, fica o repto de expectativa de ver quem me espera no burgo...


17.11.08

[Ventos de Nordeste] MSE


Prelúdio

As razões, várias. Porque podia, porque queria, porque devia. Todas as condicionantes conjugaram-se perfeitamente para que pudesse partir à descoberta e conquista da Europa, onde conheceria e reencontraria amigos, onde ri, voei, sonhei, vivi.

Depois de ter trabalhado bem para o group assignment de IB (até aqui, num post mais de um mês depois, sou perseguido por esta cadeira), de ter assegurado financiamento (comer menos, comer menos bem, sair menos, enfim, tudo menos) e autorização materno-paternal e encorajamento dos irmãos e tios e de ter planeado todos os detalhes, desde a partida do centro de Stockholm até ao aeroporto de Arlanda, desde os comboios na Holanda e ao hostel em Amsterdam, só me restava partir.

Mas para tudo isto, teria que haver um motivo. E a força que me impulsionou foi tão somente o desejo de viver a experiência Erasmus ao máximo, seja ao arriscar, ao viajar sem motivo aparente senão o de aproveitar a presença em terras longínquas de casa e conhecer mais umas cidades, mais uns países ou o simples pretexto de visitar amigos.

E a 6 de Outubro de 2008, uma segunda feira, fiz-me à aventura.

22.10.08

[Ventos de Nordeste] Exames



Exames, o pânico. Mas sem medo, depois de ter tido o primeiro hoje. Ok, tecnicamente o primeiro foi de Sueco há uma semana, mas é Sueco... não conta.

O de hoje, EOI, correu bem. Agora é estudar o máximo possível para IB, na sexta feira e depois tranquilamente esperar pela chegada das primeiras visitas.

Sem medo, sempre.

5.10.08

[Ventos de Nordeste] 10 anos depois



19h15 de um dia qualquer da semana passada. Pelas janelas do metro vejo a noite cerrada que se abate sobre Helsinki e a chuva que bate contra o vidro. Este início de Outubro na capital finlandesa é em tudo semelhante ao Inverno de Lisboa. Parece que os meses andam um pouco mais rápido aqui, no Nordeste.

Flashback para 1998, quando era um pequeno rapazinho (ok, não que agora seja muito maior) que regressava para casa dos treinos de futebol nas longas tardes de terças e quintas. Já com noite e chuva, às 18h30, lembro-me de apanhar o 1, o 36 ou o 108 para sair ali na Avenida da República e andar uns 3 quarteirões até casa. E que aventura era, para o pequeno Goga, ir desde o Colégio até à paragem dos autocarros, atravessando o Lumiar escuro e perigoso. Assim que entrava no autocarro não me sentia seguro ainda; era preciso ultrapassar a barreira psicológica do Campo Grande para poder respirar um pouco mais à vontade. E assim cresci, tento medo de ser assaltado, que fui, de andar à pancada, que andei, de ter que correr para nada mais de mal acontecer, que corri. Mas ainda bem que por isso passei; afinal, a vida não pode ser vivida totalmente sem emoções fortes! Mas a chuva que bate nas janelas trepidantes dos velhinhos autocarros de Lisboa e a água que escorria das calhas de alumínio no topo dos mesmos já ficaram para trás.

Flashforward para 2008. Entre estes pensamentos, já estou quase a chegar a Rastila e saco da Moleskine para apontar estas ideias que bem podem dar um post. Porque 10 anos se passaram e em 10 anos transformei-me no Goga que não tem medo de nada (excepto de animais com a boca maior que a minha!) e que arrisca. Arrisca em ir a Estocolmo com os restantes alunos de Erasmus da Hanken, arrisca depois em ir sozinho para Amesterdão e dar um salto a Nijmegen e depois voltar sozinho para Helsinki, fazendo escala em Copenhaga apenas uma hora. E arrisca tanto que só vai levar uma mochila às costas com 7 mudas de roupa (para 7 dias, contadinhos, e sem recurso a mais perante possíveis acidentes de percurso) para não ter que despachar nada no porão dos aviões.

E é por isso que devo estar uma semana incomunicável. Mas isso não significa longe de tudo; quando voltar faço um relatório da aventura, com fotos e tudo o mais. Até lá, sempre a arriscar.

3.12.07

O fim do Medo, o início da Esperança

Rejeitaram, sabiamente, os Venezuelanos, em referendo, a proposta de Chávez para a reforma constitucional daquele país sul-americano, que contemplava o fim dos limites aos mandatos presidenciais (que permitiria a Chávez eternizar-se no Poder), a redução da idade de voto de 18 para 16 (uma irresponsabilidade total; se uma pessoa com 16 não tem a maturidade para muitas coisas, porque há de a ter para votar?), entre outras coisas.

Sem estar a tergiversar acerca das cores políticas de cada um e, neste caso, sobre o Presidente venezuelano, a vitória do Não é um raio de Esperança a Democracia naquele país, onde se calam repórteres e televisões inteiras impunemente perante o silêncio da comunidade internacional. Parece que o petróleo da Venezuela continua a ser muito importante.

Se o resto do mundo se cala perante o que se passa na Venezuela, não o fizeram os homens e mulheres que saíram às ruas para festejar, sem medo, a vitória da Liberdade e da Democracia sobre a ignomínia, a repressão e o autoritarismo.

Foi bonito ver, antes do referendo, as multidões concentradas em Caracas no comício de encerramento do Movimento de apoio ao Não, liderada por estudantes e repórteres. Como diz este senhor, estas pessoas são as que estão na vanguarda da Liberdade e Democracia.

Tal como em Portugal, dia 25 de Abril de 1974, tal como na Venezuela, dia 2 de Dezembro de 2007. Pena que haja pessoas e partidos que neguem as evidências.

Mudando de tópico, mas continuando na política:

Um amigo meu criou um blog que servirá de observatório às Presidenciais dos EUA de 2008. Numa fase inicial, "observará" as primárias de ambos os Partidos (Republicano e Democrata). Este observatório, da JS, trará um lugar de debate e de reflexão; é demagogia dizer que estas eleições não nos afectam e importam directamente, tal como é demagogia fazer inferências acerca da mentalidade dos Americanos nos seus sentidos de voto partindo das preferências e tendências europeias e do resto do mundo.

Tentarei participar regularmente no debate que ali se fará, ao mesmo tempo que pugnarei pela imparcialidade.

Sei que não tenho escrito aqui nada; o último post já foi há quase um mês. A verdade é que tenho tido testes e trabalhos e outros compromissos que não tenho tempo para quase nada. Mas prometo que a partir de agora vou ser mais regular.

6.11.07

O Rescaldo


A África do Sul voltou a erguer o Troféu Webb Ellis, desta vez em França, 12 anos depois de o ter feito em "casa". Venceu a melhor e mais regular equipa de todas as 20 presentes naquele que é considerado desde já o melhor torneio de sempre.

Depois dos quartos-de-final que trouxeram surpresas e que por acaso não trouxeram mais, das meias-finais aguerridas, chegámos a uma final que pecou pelo excesso do pontapé na bola. Apesar disso, os Springboks mostraram que sabem jogar em qualquer tipo de jogo: seja ele de avançados, como contra as Fiji nos quartos, com o uso da pressão dos três quartos como contra a Argentina nas meias e com a bola mais pelo ar que pela mão na final contra a Inglaterra.

Os Boks destronaram os campeões do mundo de 2003 no seu tipo de jogo e fizeram-no admiravelmente. Por isso venceram e com inteira justiça. Uma palavra também para a recuperação fenomenal da Inglaterra desde o jogo contra os sul-africanos na Pool. Embora demasiado tarde, os rapazes da Cruz de São Jorge portaram-se como verdadeiros leões no jogo contra a Austrália e contra a França mas já não havia pernas para mais no jogo decisivo. E vendo jogadores como Robinson, Dallaglio e outros a abandonarem pensamos se a Inglaterra alguma vez poderá lutar pelo ceptro novamente: a resposta é sim. Jovens como Tait, Sackey, Hipkiss dão-nos esperança de tal. A ver vamos.

Ficam aqui os 30 melhores deste Campeonato. Algumas escolhas podem parecer estranhas, mas vi muitos jogos e penso que estes jogadores são os que mais se destacaram.

1. Andrew Sheridan (ENG)
2. John Smit (c) (RSA)
3. CJ Van der Linde (RSA)
4. Bakkies Botha (RSA)
5. Victor Matfield (RSA)
6. Jerry Collins (NZL)
7. Juan Smith (RSA)
8. Nick Easter (ENG)
9. Fourie du Preez (RSA)
10. Juan Martín Hernández (ARG)
11. Bryan Habana (RSA)
12. Felipe Contepomi (ARG)
13. Francois Steyn (RSA)
14. Jason Robinson (ENG)
15. Percy Montgomery (RSA)

16. Os du Randt (RSA)
17. Mark Regan (ENG)
18. Simon Shaw (ENG)
19. Schalk Burger (RSA)
20. Agustín Pichot (ARG)
21. Seru Rabeni (FJI)
22. Paul Sackey (ENG)

23. Rui Cordeiro (POR)
24. Phil Vickery (ENG)
25. Sébastien Chabal (FRA)
26. Finau Maka (TGA)
27. Nicky Little (FJI)
28. Mathew Tait (ENG)
29. Takudzwa Ngwenya (USA)
30. Ignacio Corleto (ARG)

Ficam aqui também aqueles que para mim foram dos melhores jogos:

1. Gales 34 - Fiji 38

Disputava-se o segundo lugar da Pool B e quem ganhasse seguia em frente para os quartos-de-final. Num ritmo frenético, os fijianos chegaram ao intervalo a vencer por 25-10. Mas um cartão amarelo a um dos seus avançados mesmo no fim da 1ª parte permitiu aos galeses entrarem com tudo na 2ª e virarem o jogo. Os homens do Pacífico Sul conseguiram voltar à liderança do jogo com muito esforço mas, quando nos últimos minutos o centro galês Shane Williams quebrou a linha da defesa fijiana e marcou um ensaio, tudo parecia resolvido para os homens do hemisfério norte. Mas seriam os do hemisfério sul a festejar, quando o pilar das Fiji Dewes marcou o ensaio decisivo após jogada de insistência do temível pack do Pacífico Sul.

2. Inglaterra 0 - África do Sul 36

Os ingleses tinham que verdadeiramente jogar como campeões do mundo, depois de uma vitória nada convincente frente aos Estados Unidos e depois de um torneio das 6 Nações para esquecer. Mas seriam os africanos a fazê-lo: entraram com tudo, dominaram as touches, os breakdowns, os ressaltos e as bolas corridas. Chegaram facilmente aos ensaios e aos pontos, depois foi gerir a vantagem. Percebia-se que os ingleses ainda tinham muito trabalho (mas jogaram sem Jonny Wilkinson) e que os sul-africanos, que tinham ficado em 3º lugar no Tri-Nations, eram mesmo favoritos à vitória final.

3. Canadá 12 - Japão 12

Depois das tareias com a Austrália e Gales e de uma derrota que venderam caro às Fiji, os japoneses partiram para este jogo sem nada a perder e tudo a ganhar: se perdessem, era mais uma derrota. Se conseguissem ganhar ou mesmo empatar, acabariam com uma série de 12 jogos no mundial sem vencer. A pressão estava no lado dos canadianos que venceram sempre um jogo nos mundiais em que participaram. Uma partida entre dois "minnows" que não desiludiram. Jogo muito táctico mas interessante: equilibrado, com domínio a pender para os canadianos. A perder por 12-5, a 3 minutos do final, os japoneses lançaram-se sobre a linha de ensaio dos homens da folha de ácer como haviam feito no Pacífico Sul uns 60 anos antes sobre os vizinhos do sul do Canadá. E resultou. Aos 92 minutos, os japoneses atravessaram a linha de ensaio para lá da linha de 15 metros, quase nos 5. Com o jogo mesmo a terminar, e com a responsabilidade dos pontos do empate na sua bota, o centro Onishi, numa das melhores conversões do Mundial, restabelece o empate e a justiça no marcador. Épico.

4. Nova Zelândia 18 - França 20

Fora de casa, fora do lugar de favoritos, fora de hipóteses. Os franceses estavam encostados à parede e os grandes favoritos, os All Blacks, pareciam a caminho das meias finais. Mas os Bleus, nestas situações, inspiram-se e trazem de dentro de si o melhor rugby que se vê por esses relvados fora. A perder por 18-13 a 10 minutos do fim, Michalak, recém-entrado, faz uma corrida de 40 metros (com um toque para a frente pelo meio) e entrega a Jauzion que marca o ensaio que restabelece o empate. Elissalde, com toda a calma do mundo, bate a conversão e a França passa para a frente. Aí, e já sem os seus grandes avançados, os neo-zelandeses atiraram tudo quanto tinham sobre os franceses, incluíndo uma jogada com 23 fases (!) dentro da linha de 22 metros francesa. Mas os Bleus, que fizeram frente à haka destemidos e a formarem a bandeira francesa, aguentaram o forte e, acima de tudo, mantiveram vivo o sonho de levantar a taça, finalmente.

5. França 10 - Argentina 34

O jogo que ninguém queria disputar. De orgulho ferido, as equipas subiram ao relvado sabendo que seria o último que os respectivos treinadores as orientariam. Bernard Laporte seguirá a carreira política e Marcello Lofreda embarcará para Inglaterra, onde irá treinar os Leicester Tigers. Os franceses pareciam estar a dominar a partida, com muita posse de bola no meio campo argentino, mas os sul-americanos, com uma defesa de ferro, repeliram as investidas dos Bleus. E no contra-ataque provaram que as cobras não dormem. Da primeira vez que entraram com posse de bola nos 22 metros franceses, Felipe Contepomi marcou um ensaio que se encarregou de converter. E quando os franceses ainda pensavam no que lhes tinha acontecido, eis que os Pumas entram novamente nos 22 e Hernández tenta o pontapé de ressalto. A bola bate no poste para alívio momentâneo dos gauleses pois acabou por ressaltar para Roncero que em cima da linha de ensaio é placado mas consegue deixar a bola em Hasan Jalil que mergulha e aumenta a vantagem. A partir daí, vimos os franceses a tentarem salvar a honra do convento, mas os argentinos provaram que são, de facto, uma das melhores equipas do mundo: muralha de ferro nos 5 metros, ataques rápidos e letais, handling perfeito, corridas e jogadas de três quartos como não se viram neste mundial (e noutros) e o resultado só podia ser um: os homens da América do Sul, a quem ninguém dava muito crédito, acabaram por dançar o Tango da celebração em pleno Stade de France.

Queria referir ainda o África 37 - Fiji 20, o Irlanda 14 - Geórgia 10, o Roménia 14 - Portugal 10, o Austrália 10 - Inglaterra 12, o Samoa 15 - Tonga 19 e o Geórgia 30 - Namíbia 0. Excelentes jogos, sobretudo aqueles em que os "minnows" estavam envolvidos. Paixão, garra, honra, glória; alguns adjectivos e epítetos que podem ser atribuídos aos homens que vão para lá porque querem elevar o nome dos respectivos países ao mais alto nível. Uma inspiração para todos aqueles que seguiram de perto o Mundial. E é por isso que quando se fala em reduzir de 20 para 16 equipas o Mundial de 2011 devemos todos dizer: "NÃO!".

Até 2011, na Nova Zelândia!

28.9.07

Desníveis

Eu contra dois. Eu contra seis ou sete. Eu contra treze ou quatorze (ou catorze?). Eu contra trinta ou quarenta. E ninguém, NINGUÉM, teve a coragem de me fazer frente quando eu lhes perguntei quem eram.

Acho ridículo as pessoas andarem trajadas em Lisboa. Isso é lá para Coimbra, Porto, Santarém, Vila Real, Covilhã, mas não a capital.

E é por isso que enfrento quem quer que sejam, quantos mais forem, quais forem (mesmo que se não identifiquem).

O acto de levantar a cabeça contra vários ganha o respeito dos observadores e o temor dos antagonistas.

A reter.