18.12.08
[Ventos de Nordeste] O fim do Legenda
decretado pelo Príncipe às 13:24 2 ideias contíguas
A reter: Erasmus, Helsinki, Networking, Ventos de Nordeste
7.9.08
[Ventos de Nordeste] - Primeira semana, primeiros passos fora do ninho
Continuando a sequência dos acontecimentos do post anterior, lá fomos para a festa. Como ainda era o segundo dia, as pessoas mantinham-se em grupos com aqueles que já conheciam. Ao fim de algum tempo, começa-se a falar na hipótese de ir sair a Helsinki, a uma discoteca que aparentemente é muito boa. Céptico, começo por dizer que estou cansado e ainda não arrumei as coisas todas; além disso, amanhã temos que estar às 9h30 na Hanken... Aparece então a Johanna (a minha tutora) que me convence a mim, ao Alex e ao Erick (também alemão). Lembro-me então que não tinha trazido a máquina fotográfica! Enfim... Vamos todos então com ela e outra tutora (não me lembro do nome). Chegados à discoteca, entre Kampi e a Central Railway Station (nome em finlandês e sueco), estamos na fila enquanto 4 rapazes atrás do Erick (que mede 1,90m) conseguem ser mais altos que o alemão, cada um devia medir uns 2,05m – sem exagero. À entrada, a primeira vez (de provavelmente muitas) que me perguntam a idade. O curioso é que o segurança me perguntou em finlandês. Respondo sem hesitações: “I’m 21 years old.”ao que o segurança me pede desculpa e diz para entrar. Lá dentro encontramos mais estudantes da Hanken – umas raparigas belgas e francesas – e mais tutores. Fazemos a festa entre nós, mas só até às 1h30, porque a essa hora temos que ir apanhar o último autocarro que sai na Estação de Comboios antes das 2h00, a hora a partir da qual temos que pagar a tarifa nocturna. O nosso travel card é bom, mas não é assim tanto...
The Strokes – Red Light
No dia seguinte tento ligar-me à internet na Hanken e consigo – ainda que parcialmente e só durante uns 20 minutos. Disseram-me que a rede wireless está com alguns problemas porque estão a mudar os routers. Quer dizer, país de alta tecnologia mas se calhar nem tanto... Aproveito essa tarde então para começar a tirar fotografias e explorar um pouco a cidade. A andar sozinho por Helsinki, de auscultadores nos ouvidos, mochila às costas, confundo-me com os seus habitantes – estou mesmo cá. Começo a aperceber-me que isto afinal não é uma viagem com amigos, como as da neve ou a de finalistas. Não somos um grupo de jovens a brincar às casas nem aos turistas: somos estudantes de intercâmbio. Com a confiança renovada que tudo vai correr bem, continuo a andar por aí...
Na sexta-feira fazemos uma excursão de autocarro por Helsinki na Helsinki Expert. Aí estava já embrenhado no grupo dos mexicanos e dos espanhóis, onde conheci o Fernando, o Mendi, a Irene e a Olga (todos do país nosso vizinho) e o Josué, a Estefania e a Lulu (Lourdes) e o Rodrigo, estes do México. Quando a nossa guia diz que também havia feito Erasmus, em Portugal, foi a festa no autocarro no nosso grupo, pois sou o único estudante de Portugal na Hanken. Aproveito para falar com ela português, língua longínqua já... Depois da visita, vamos todos comer uma espécie de donut com creme (de chocolate, de alcaçuz, de ovos...) em cima (rói-te de inveja, Homer Simpson) e depois seguimos todos para casa. Estava-se a planear uma saída à noite, mas não fui porque não ouvi o Rodrigo (que mora no apartamento ao lado do meu) a bater à porta. Enfim...
All India Radio – Far Away
Sábado, dia 30. Vamos com os tutors e quase todos os estudantes de Erasmus da Hanken de ferry para Suomenlinna, uma fortaleza marítima numa ilha, onde fazemos um pic-nic e uns jogos de team-building. Antes de nos dirigirmos ao local onde vamos passar a tarde, paramos numa espécie de mini-mercado, onde o Otto (um dos tutores) nos aconselha a comprar bebidas, sejam elas alcoólicas ou não alcoólicas. “Muito responsável”, diz o Manel quando lhe conto isto. Começamos então todos a conhecermo-nos melhor, o que serve para quebrar o gelo e um bocado os grupos: até agora os alemães mantinham-se juntos, como os francófonos (franceses, canadianos e belgas) e em certa medida os que falam espanhol (eu incluído ☺).
Domingo, dia de descanso e de compras. Vou ao Lidl em Itakeskus e depois ao SMarket em frente a casa. Quando estou no metro, de volta, e perante o cansaço, os olhos pesam e começam a fechar-se. E, numa passagem por cima de uma baía com o mar à minha volta, as saudades começam a aparecer e os pensamentos fogem para as pessoas que ficaram em Lisboa e Portugal. E depois para o que se passou entre o pequeno Goga que, no 5º ano, chegava a casa depois das aulas e lanchava e fazia os trabalhos de casa para brincar o resto da tarde toda. Ou o já mais crescidinho que esperava pacientemente no 8º ano pelo fim das aulas para às terças e quintas ter treinos de futebol no Colégio e às quartas e sextas rugby no CDUL. E o Goga homenzinho do 11º que já tinha a vida toda planeada. E ao, já na faculdade, Diogo que arrancou para um semestre apostado em ser homem e trabalhar que nem um animal e fê-lo porque era a coisa acertada a fazer. E ao Diogo Maria, que no jantar de aniversário de 21 anos, encantou a família com um discurso que “emocionou a Avó”. Todas essas minhas encarnações conduziram-me aqui, a Helsinki, ao Nordeste. Daqui a uns anos, olharei para trás e verei esta fase da minha vida como decisiva, mas não exclusiva, para chegar onde quer que esteja na altura.
Bush – The Chemicals Between Us
2ª, 3ª e 4ª: aulas e outras coisas. Nada muito a dizer, apenas que esta não é a rentrée habitual: frio, mau tempo, aulas logo a abrir Setembro e sem os amigos do costume. Difícil, mas não impossível. Entretanto, já com um telemóvel finlandês (um... Samsung B100 e não um Nokia, ao contrário do que seria de esperar...), aproveito para matar saudades da família (as chamadas e as mensagens são muito mais baratas!) e começar a desenvolver a rede de contactos aqui com os estudantes de Erasmus mas também com os nativos. Aproveito também para tirar fotografias a tudo o que surge como prova à família de que eu estou cá, respiro este ar, bebo todas estas experiências, rio-me, faço amigos, aprendo novas coisas, enfim, cresço.
decretado pelo Príncipe às 10:49 1 ideias contíguas
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2.9.08
[Ventos de Nordeste] - O começo de uma aventura, ou Crónica de uma partida, chegada e primeiro dia
6h00, o despertador toca. Sem dificuldade, levanto-me e dirijo-me para a casa de banho para o habitual duche matinal. Só já dentro da banheira e com a água quente a escorrer-me pelos ombros é que efectivamente me apercebo que este será o último duche em Lisboa durante muito tempo. Visto-me, com uma sweat-shirt e blusão (ridículo para Agosto em Lisboa) e calço as botas da Timberland, porque se fossem na mala aumentariam o excesso de peso que já contava com 8 kilos... A mãe acorda, o telemóvel vibra com uma mensagem do irmão que está a estudar e que pergunta qualquer coisa que me escapa. Como qualquer coisa à pressa, sem grande fome. Pego nas malas e ponho-me fora de casa.
Chego ao aeroporto pelas 7h15 e enquanto procuro o balcão do check-in, ainda não me tinha mentalizado que era mesmo para ir. Chega a minha vez, mostro, orgulhoso, o papel que imprimi e que tinha o código de reserva do bilhete (comprado pela internet, uma estreia!) e ponho a mala na balança. 28 kilos, 8 a mais do que o permitido, como previsto na velhinha balança lá de casa. Passam-me o recibo de excesso de peso, pago e entretanto chega a irmã, o cunhado e a sobrinha. Grande festa no balcão, à cigana. Pacotes de bolachas enfiados na mochila à pressa, dirijo-me então para o balcão 29 do check-in para poder receber o cartão de embarque. Com ele na mão, passa a ser real; vou mesmo embora daí a coisa de uma hora. Aparece entretanto o tio, vindo de Sintra de propósito para se despedir do sobrinho e afilhado. Ainda dá tempo (à portuguesa) para todos tomarmos um café e antes que me aperceba, já são 8h00 e tenho que me ir embora. Abraços, beijinhos, birra da sobrinha (“o pio vai embora, dê lá beijinho...”), adeus familhia que o benjamim vai para a Escandinávia.
No controlo de segurança, dizem-me para despachar-me que já estão a chamar pessoal para esse voo. Pego na mochila, na mala do portátil (que demorou épocas a tirar da mochila) e vou a correr para a porte de embarque 12. Como é óbvio, é na outra ponta do terminal. E eu, a correr com botas novas, de blusão e camisola, com uma mochila e um portátil nas mãos, lá consigo chegar a tempo do “last call for flight AY 922 to Helsinki”. Mostro o meu BI e cartão de embarque e desço até ao autocarro. Lá, enquanto tiro camisola, substituo botas por ténis e afins, liga-me a família a dar as últimas despedidas. Finalmente embarco no Airbus A320 da Finnair que me vai levar para a outra ponta da Europa.
Voo sem história, mas com algumas estórias. Desde os inúmeros chineses e indianos a bordo (claramente era um voo de ligação), ao bebé grande, gordo e loiro com um pijama de zebra (a ver se encontro um para oferecer à Teresinha), ao finlandês que à minha frente lê um jornal em que um artigo sobre o Deco e o seu golo de livre directo, em que chamavam ao médio do Chelsea “Decolla”, às pacatas três horas e meia de sono, entre uma refeição da qual não reza esta crónica até à simpatia das hospedeiras de bordo (primeiro contacto com mulheres nórdicas bem acima do metro e oitenta).
Começa a descida para Helsinki-Vaanta e a primeira impressão é que todo o pais é formado por lagos, ilhotas, baías e abetos (o que não está muito longe da verdade). Desembarco e sigo entre a hesitação e a temeridade as indicações em finlandês e sueco até aos tapetes onde espero uns 10 minutos até aparecer a minha mala. Um dia (ou um post) farei um inventário sobre o que veio para cá, para ver se será o mesmo que volta...
Fatboy Slim – Right Here, Right Now
Saio do terminal para o Arrivals Hall 2, onde me aguardam duas horas de espera pela “Tutor”, a Johanna, que só me pode apanhar pelas 17h45, sendo que são 15h40... Penso em comer qualquer coisa no café, mas aliado ao preço proibitivo de 4,5€ por uma sanduíche, está o impedimento de nem sequer saber o que é que as ditas contêm. Isto porque os painéis informativos estão em finlandês e sueco. Gorada a hipótese sanduíche, atiro-me às bolachas perdidas pela mochila enquanto saco do Mac (Macbook, o meu portátil) e ponho-me a ver o Any Given Sunday, pela sétima ou oitava vez...
Recebo uma mensagem da Johanna a dizer que havia chegado. Procuro-a e encontro-a, justamente de acordo com a sua descrição: muito alta e loira. Conheço também o Alex (alemão) e o Chris (belga). Como as malas não cabem todas no Volvo da Johanna, eu e o Chris seguimos num táxi para o nosso bairro, Harustie, nos blocos 7. O taxímetro corre alegre até à bonita soma de 40 euros (mas devo dizer que nos cinco minutos que esperámos pela Johanna e o Alex, o taxista deixou correr – pouco próprio de um homem que ouve Bob Marley e reggae). Assim que finalmente eles chegam, a Johanna dá-me as chaves de casa e leva-me ao bloco B, onde encontro o apartamento 012, a minha casa durante os próximos meses.
Entro e conheço o Romain, francês de Grenoble e provavelmente o único rapaz aqui mais baixo que eu (ou até conhecer o Rodrigo, mexicano – mas já lá vamos). Digo o meu nome e imediatamente começa a perguntar se não é Diego. Pronto, já ficou. Entro no meu quarto, aprendo o truque das fechaduras e começo a desfazer as malas. Vou conversando com o Romain e fico a saber que no outro quarto (somos três neste apartamento) está um canadiano, o Guillaume, provavelmente a dormir, apenas e só porque são sete horas de diferença do Quebec para aqui. Hmm, um francês e um canadiano francófono... Aqui começo a pensar que vou ter que estar de 10 em 10 minutos a pedir-lhes para falarem em inglês. Mensagem para a mãe a dizer que já cheguei, chamada da tia a perguntar se tinha tudo preparado. Quando respondo que estou a desfazer a mala, pergunta-me se não tenho avião às seis. Eu digo que sim, mas que tinha sido às seis... da manhã. Risota, diz para eu desligar por causa do roaming, não sem antes serem mandados beijinhos para cá e lá. Sim, o lá agora é Lisboa... Depois de arrumadas as coisas, eu e o Romain vamos ao SMarket em frente a casa comprar qualquer coisa para jantar. Visto que temos esparguete, decidimos comprar a única coisa que sabemos o que é: hambúrgueres, pois tudo o resto está em finlandês e sueco. E nem sequer sabemos de que tipo de carne são os hambúrgueres – foi uma simpática senhora que nos traduziu a descrição; aparentemente, são de mistura de carnes. Ok, vamos a isso, são baratos.
Faço a cama e estendo-me nela... Quando dou por mim são 22h15 – hora de Helsinki. Visto que o Romain não sabe cozinhar (como é que é possível?) e o Guillaume ainda dorme, começo a fazer a carne e a massa. Nisto, o canadiano aparece e começa também a fazer a comida dele. Um sujeito um bocado calado e reservado, mas simpático. Jantamos, frugalmente, mas bem dispostos. Como só temos internet a partir de dia 1 de Setembro, o dia em que começa o contrato, recolho ao quarto e deito-me porque no dia seguinte muita coisa há para fazer.
Esta é a música que tinha posto no Awaken para acordar às 7h20. Faço os meus 30 abdominais e vou tomar um duche. Como uns Corn Flakes e seguimos os 3 para o Metro. Na estação de Rastila (em finlandês) ou Rastbole (em sueco), compro um bilhete de 2 euros (!) e encontro o Alex e o Chris. Seguimos os 5 (e todos os outros estudantes que viajam em grupos) para Kamppi / Kampen. Entramos na Hanken e temos a sessão de recepção e boas vindas.
Tratamos das burocracias (pagamento da inscrição na SHS, matriculação oficial na Hanken, assinatura do contrato de alojamento, registo no Maistraati - género de Ministério da Administração Interna - de Helsinki ou Helsingfors) com almoço pelo meio. Depois de tudo isto, aproveito para enviar um mail para casa e fazer a inscrição nas cadeiras e exames. Após isto, eu, o Chris e o Alex e mais uns quantos alemães vamos em busca da Estação Central de Comboios para fazer o passe de metro e autocarro mas assim que saímos da Hanken começa a chover. Bonito, Goga, nem sequer trouxeste impermeável para cá – lembrei-me nesse preciso momento, e assim já tenho uma encomenda de Lisboa para pedir. Apanhamos um tram e não pagamos (bandidos!) e lá chegamos a Lasipalatsi ou Glaspalatset (Palácio de Vidro), onde fica a estação. Como a agência da HKL está totalmente cheia, vamos à de Itakeskus ou Ostra Centrum (sim, muito estranho) e em 15 minutos todos os 7 de nós temos um passe que nos dá direito a andar de autocarro, metro, tram e comboio na área urbana de Helsinki. O Chris pergunta, a gozar, se também dá para táxis e é a risada geral na agência. Vamos então para casa.
Começo a escrever os primeiros posts antes que as ideias saiam da cabeça ou a velhinha Moleskine onde estão estes apontamentos dê de si, mas saímos para fazer compras – no Lidl de Itakeskus, a duas estações de casa. Chegados finalmente, sento-me para escrever estas últimas linhas e ficar apreensivo com o tamanho do texto (1627 palavras até aqui). Vou então fazer o jantar e depois vamos seguir para uma festa no bloco E – a primeira “house party”, cuja descrição ficará para um próximo post.
decretado pelo Príncipe às 14:25 2 ideias contíguas
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13.10.07
O Congresso
Realizou-se, nos dias 11 e 12 de Outubro, o 2º Congresso Nacional dos Economistas, organizado pela Ordem dos Economistas, no Centro de Congressos de Lisboa.
Fui lá, como convidado da Ordem, depois de me ter inscrito para tal na conferência da Semana dos Novos Economistas, que já tinha referido aqui.
Foi bastante interessante pois ouvi diferentes opiniões sobre o estado da economia pela voz de antigos ministros, actuais ministros, o próprio Governador do Banco de Portugal, o Presidente da República e outros eminentes economistas. Discutiu-se também o papel que o Processo de Bolonha terá na formação dos economistas e gestores de amanhã; uma questão que como podem imaginar, me preocupa.
Falou-se do papel que a Ordem terá que tomar nos anos vindouros, se poderá reformular-se e criar um sistema de creditações de competências de profissionais ligados à área da economia e que tipo de intervenção pode ter na sociedade civil. Bastante interessante, esta palestra pelo Prof. Manuel Brandão Alves.
Foi também muito importante a nível de networking, uma das minhas novas palavras preferidas, e também para ser visto. Nestas ocasiões, um jovem entre muitos homens de negócios e economistas e gestores conhecidos destaca-se um bocado, nem que seja pelo facto de lá estar. E também para ver, ouvir, ler, perceber e aprender uma data de coisas novas.
P.S. : Eu sei que não tenho escrito muito aqui, mas tenho andado ocupadíssimo. Comecei a trabalhar no Coliseu dos Recreios de Lisboa, já tenho testes e trabalhos para apresentar. Não está fácil, mas isso eu já sabia que não ia ser. Quando puder, vou aqui dizendo qualquer coisa.
decretado pelo Príncipe às 14:46 0 ideias contíguas
A reter: Economia, Networking, Principado, Processo de Bolonha