Showing posts with label Rugby. Show all posts
Showing posts with label Rugby. Show all posts

7.9.08

[Ventos de Nordeste] - Primeira semana, primeiros passos fora do ninho



O bloco 7 de Harustie é habitado principalmente por estudantes, a maioria dos quais de Erasmus (e onde cerca de 85% dos estudantes de Erasmus da Hanken estão), imigrantes e idosos. É, claramente, um bairro de gente sem grandes possibilidades como se consegue ver pela total ociosidade dos jovens locais, que a seguir às aulas ficam no largo a falar, andar de bicicleta e fumar. Apesar disso, é a nossa casa agora e ainda todos nos estamos a ajustar. Desde a
sauna que não aparece aos caixotes de lixo que permanecem incógnitos, aos encontros para ir para a Hanken ou a Helsinki no meio dos jardins com outros “Hankeits” (como somos chamados – estudantes da Hanken) ao já mítico prédio E, onde foram as House Parties até agora e onde provavelmente serão sempre.


Continuando a sequência dos acontecimentos do post anterior, lá fomos para a festa. Como ainda era o segundo dia, as pessoas mantinham-se em grupos com aqueles que já conheciam. Ao fim de algum tempo, começa-se a falar na hipótese de ir sair a Helsinki, a uma discoteca que aparentemente é muito boa. Céptico, começo por dizer que estou cansado e ainda não arrumei as coisas todas; além disso, amanhã temos que estar às 9h30 na Hanken... Aparece então a Johanna (a minha tutora) que me convence a mim, ao Alex e ao Erick (também alemão). Lembro-me então que não tinha trazido a máquina fotográfica! Enfim... Vamos todos então com ela e outra tutora (não me lembro do nome). Chegados à discoteca, entre Kampi e a Central Railway Station (nome em finlandês e sueco), estamos na fila enquanto 4 rapazes atrás do Erick (que mede 1,90m) conseguem ser mais altos que o alemão, cada um devia medir uns 2,05m – sem exagero. À entrada, a primeira vez (de provavelmente muitas) que me perguntam a idade. O curioso é que o segurança me perguntou em finlandês. Respondo sem hesitações: “I’m 21 years old.”ao que o segurança me pede desculpa e diz para entrar. Lá dentro encontramos mais estudantes da Hanken – umas raparigas belgas e francesas – e mais tutores. Fazemos a festa entre nós, mas só até às 1h30, porque a essa hora temos que ir apanhar o último autocarro que sai na Estação de Comboios antes das 2h00, a hora a partir da qual temos que pagar a tarifa nocturna. O nosso travel card é bom, mas não é assim tanto...

The Strokes – Red Light

No dia seguinte tento ligar-me à internet na Hanken e consigo – ainda que parcialmente e só durante uns 20 minutos. Disseram-me que a rede wireless está com alguns problemas porque estão a mudar os routers. Quer dizer, país de alta tecnologia mas se calhar nem tanto... Aproveito essa tarde então para começar a tirar fotografias e explorar um pouco a cidade. A andar sozinho por Helsinki, de auscultadores nos ouvidos, mochila às costas, confundo-me com os seus habitantes – estou mesmo cá. Começo a aperceber-me que isto afinal não é uma viagem com amigos, como as da neve ou a de finalistas. Não somos um grupo de jovens a brincar às casas nem aos turistas: somos estudantes de intercâmbio. Com a confiança renovada que tudo vai correr bem, continuo a andar por aí...


Na sexta-feira fazemos uma excursão de autocarro por Helsinki na
Helsinki Expert. Aí estava já embrenhado no grupo dos mexicanos e dos espanhóis, onde conheci o Fernando, o Mendi, a Irene e a Olga (todos do país nosso vizinho) e o Josué, a Estefania e a Lulu (Lourdes) e o Rodrigo, estes do México. Quando a nossa guia diz que também havia feito Erasmus, em Portugal, foi a festa no autocarro no nosso grupo, pois sou o único estudante de Portugal na Hanken. Aproveito para falar com ela português, língua longínqua já... Depois da visita, vamos todos comer uma espécie de donut com creme (de chocolate, de alcaçuz, de ovos...) em cima (rói-te de inveja, Homer Simpson) e depois seguimos todos para casa. Estava-se a planear uma saída à noite, mas não fui porque não ouvi o Rodrigo (que mora no apartamento ao lado do meu) a bater à porta. Enfim...


All India Radio – Far Away

Sábado, dia 30. Vamos com os tutors e quase todos os estudantes de Erasmus da Hanken de ferry para
Suomenlinna, uma fortaleza marítima numa ilha, onde fazemos um pic-nic e uns jogos de team-building. Antes de nos dirigirmos ao local onde vamos passar a tarde, paramos numa espécie de mini-mercado, onde o Otto (um dos tutores) nos aconselha a comprar bebidas, sejam elas alcoólicas ou não alcoólicas. “Muito responsável”, diz o Manel quando lhe conto isto. Começamos então todos a conhecermo-nos melhor, o que serve para quebrar o gelo e um bocado os grupos: até agora os alemães mantinham-se juntos, como os francófonos (franceses, canadianos e belgas) e em certa medida os que falam espanhol (eu incluído ☺). 


Nessa noite, há mais uma House Party (outra vez no ‘Party building’, o E) e depois vamos todos sair para o Club KY, uma discoteca muito em voga em Helsinki. Como nos pedem 7€ à entrada, eu, o Rodrigo e o Rafa (outro mexicano) desistimos de ir (até porque o último autocarro é às 2h e a discoteca fecha às 3h30 e isto eram umas 1h40) e decidimos ir comer um kebab. Pedimos para levar e ainda vamos a correr mas já não conseguimos apanhar o autocarro. Resignamo-nos a pagar 4 euros e sentamo-nos, desconsolados. Mas nem tudo é mau, pois encontramos a Riikka, finlandesa que esteve 3 anos em Portugal a estudar (em Lisboa e Braga) com o marido (também finlandês) e que estava muito contente por falar comigo em português. Deu-me o número dela e disse para eu lhe ligar, para um café ou algo do género. Simpáticos, ambos. Saímos na estação em frente à bomba de gasolina e despedimo-nos do Rafa que mora no prédio E. Eu e o Rodrigo comemos o nosso kebab (bem grande e picante – mas a ele não lhe sabe...) em casa dele e depois vou para minha casa dormir e recarregar baterias.

Sublime – Santeria

Domingo, dia de descanso e de compras. Vou ao Lidl em Itakeskus e depois ao SMarket em frente a casa. Quando estou no metro, de volta, e perante o cansaço, os olhos pesam e começam a fechar-se. E, numa passagem por cima de uma baía com o mar à minha volta, as saudades começam a aparecer e os pensamentos fogem para as pessoas que ficaram em Lisboa e Portugal. E depois para o que se passou entre o pequeno Goga que, no 5º ano, chegava a casa depois das aulas e lanchava e fazia os trabalhos de casa para brincar o resto da tarde toda. Ou o já mais crescidinho que esperava pacientemente no 8º ano pelo fim das aulas para às terças e quintas ter treinos de futebol no
Colégio e às quartas e sextas rugby no CDUL. E o Goga homenzinho do 11º que já tinha a vida toda planeada. E ao, já na faculdade, Diogo que arrancou para um semestre apostado em ser homem e trabalhar que nem um animal e fê-lo porque era a coisa acertada a fazer. E ao Diogo Maria, que no jantar de aniversário de 21 anos, encantou a família com um discurso que “emocionou a Avó”. Todas essas minhas encarnações conduziram-me aqui, a Helsinki, ao Nordeste. Daqui a uns anos, olharei para trás e verei esta fase da minha vida como decisiva, mas não exclusiva, para chegar onde quer que esteja na altura.

Bush – The Chemicals Between Us


2ª, 3ª e 4ª: aulas e outras coisas. Nada muito a dizer, apenas que esta não é a
rentrée habitual: frio, mau tempo, aulas logo a abrir Setembro e sem os amigos do costume. Difícil, mas não impossível. Entretanto, já com um telemóvel finlandês (um... Samsung B100 e não um Nokia, ao contrário do que seria de esperar...), aproveito para matar saudades da família (as chamadas e as mensagens são muito mais baratas!) e começar a desenvolver a rede de contactos aqui com os estudantes de Erasmus mas também com os nativos. Aproveito também para tirar fotografias a tudo o que surge como prova à família de que eu estou cá, respiro este ar, bebo todas estas experiências, rio-me, faço amigos, aprendo novas coisas, enfim, cresço.


6.11.07

O Rescaldo


A África do Sul voltou a erguer o Troféu Webb Ellis, desta vez em França, 12 anos depois de o ter feito em "casa". Venceu a melhor e mais regular equipa de todas as 20 presentes naquele que é considerado desde já o melhor torneio de sempre.

Depois dos quartos-de-final que trouxeram surpresas e que por acaso não trouxeram mais, das meias-finais aguerridas, chegámos a uma final que pecou pelo excesso do pontapé na bola. Apesar disso, os Springboks mostraram que sabem jogar em qualquer tipo de jogo: seja ele de avançados, como contra as Fiji nos quartos, com o uso da pressão dos três quartos como contra a Argentina nas meias e com a bola mais pelo ar que pela mão na final contra a Inglaterra.

Os Boks destronaram os campeões do mundo de 2003 no seu tipo de jogo e fizeram-no admiravelmente. Por isso venceram e com inteira justiça. Uma palavra também para a recuperação fenomenal da Inglaterra desde o jogo contra os sul-africanos na Pool. Embora demasiado tarde, os rapazes da Cruz de São Jorge portaram-se como verdadeiros leões no jogo contra a Austrália e contra a França mas já não havia pernas para mais no jogo decisivo. E vendo jogadores como Robinson, Dallaglio e outros a abandonarem pensamos se a Inglaterra alguma vez poderá lutar pelo ceptro novamente: a resposta é sim. Jovens como Tait, Sackey, Hipkiss dão-nos esperança de tal. A ver vamos.

Ficam aqui os 30 melhores deste Campeonato. Algumas escolhas podem parecer estranhas, mas vi muitos jogos e penso que estes jogadores são os que mais se destacaram.

1. Andrew Sheridan (ENG)
2. John Smit (c) (RSA)
3. CJ Van der Linde (RSA)
4. Bakkies Botha (RSA)
5. Victor Matfield (RSA)
6. Jerry Collins (NZL)
7. Juan Smith (RSA)
8. Nick Easter (ENG)
9. Fourie du Preez (RSA)
10. Juan Martín Hernández (ARG)
11. Bryan Habana (RSA)
12. Felipe Contepomi (ARG)
13. Francois Steyn (RSA)
14. Jason Robinson (ENG)
15. Percy Montgomery (RSA)

16. Os du Randt (RSA)
17. Mark Regan (ENG)
18. Simon Shaw (ENG)
19. Schalk Burger (RSA)
20. Agustín Pichot (ARG)
21. Seru Rabeni (FJI)
22. Paul Sackey (ENG)

23. Rui Cordeiro (POR)
24. Phil Vickery (ENG)
25. Sébastien Chabal (FRA)
26. Finau Maka (TGA)
27. Nicky Little (FJI)
28. Mathew Tait (ENG)
29. Takudzwa Ngwenya (USA)
30. Ignacio Corleto (ARG)

Ficam aqui também aqueles que para mim foram dos melhores jogos:

1. Gales 34 - Fiji 38

Disputava-se o segundo lugar da Pool B e quem ganhasse seguia em frente para os quartos-de-final. Num ritmo frenético, os fijianos chegaram ao intervalo a vencer por 25-10. Mas um cartão amarelo a um dos seus avançados mesmo no fim da 1ª parte permitiu aos galeses entrarem com tudo na 2ª e virarem o jogo. Os homens do Pacífico Sul conseguiram voltar à liderança do jogo com muito esforço mas, quando nos últimos minutos o centro galês Shane Williams quebrou a linha da defesa fijiana e marcou um ensaio, tudo parecia resolvido para os homens do hemisfério norte. Mas seriam os do hemisfério sul a festejar, quando o pilar das Fiji Dewes marcou o ensaio decisivo após jogada de insistência do temível pack do Pacífico Sul.

2. Inglaterra 0 - África do Sul 36

Os ingleses tinham que verdadeiramente jogar como campeões do mundo, depois de uma vitória nada convincente frente aos Estados Unidos e depois de um torneio das 6 Nações para esquecer. Mas seriam os africanos a fazê-lo: entraram com tudo, dominaram as touches, os breakdowns, os ressaltos e as bolas corridas. Chegaram facilmente aos ensaios e aos pontos, depois foi gerir a vantagem. Percebia-se que os ingleses ainda tinham muito trabalho (mas jogaram sem Jonny Wilkinson) e que os sul-africanos, que tinham ficado em 3º lugar no Tri-Nations, eram mesmo favoritos à vitória final.

3. Canadá 12 - Japão 12

Depois das tareias com a Austrália e Gales e de uma derrota que venderam caro às Fiji, os japoneses partiram para este jogo sem nada a perder e tudo a ganhar: se perdessem, era mais uma derrota. Se conseguissem ganhar ou mesmo empatar, acabariam com uma série de 12 jogos no mundial sem vencer. A pressão estava no lado dos canadianos que venceram sempre um jogo nos mundiais em que participaram. Uma partida entre dois "minnows" que não desiludiram. Jogo muito táctico mas interessante: equilibrado, com domínio a pender para os canadianos. A perder por 12-5, a 3 minutos do final, os japoneses lançaram-se sobre a linha de ensaio dos homens da folha de ácer como haviam feito no Pacífico Sul uns 60 anos antes sobre os vizinhos do sul do Canadá. E resultou. Aos 92 minutos, os japoneses atravessaram a linha de ensaio para lá da linha de 15 metros, quase nos 5. Com o jogo mesmo a terminar, e com a responsabilidade dos pontos do empate na sua bota, o centro Onishi, numa das melhores conversões do Mundial, restabelece o empate e a justiça no marcador. Épico.

4. Nova Zelândia 18 - França 20

Fora de casa, fora do lugar de favoritos, fora de hipóteses. Os franceses estavam encostados à parede e os grandes favoritos, os All Blacks, pareciam a caminho das meias finais. Mas os Bleus, nestas situações, inspiram-se e trazem de dentro de si o melhor rugby que se vê por esses relvados fora. A perder por 18-13 a 10 minutos do fim, Michalak, recém-entrado, faz uma corrida de 40 metros (com um toque para a frente pelo meio) e entrega a Jauzion que marca o ensaio que restabelece o empate. Elissalde, com toda a calma do mundo, bate a conversão e a França passa para a frente. Aí, e já sem os seus grandes avançados, os neo-zelandeses atiraram tudo quanto tinham sobre os franceses, incluíndo uma jogada com 23 fases (!) dentro da linha de 22 metros francesa. Mas os Bleus, que fizeram frente à haka destemidos e a formarem a bandeira francesa, aguentaram o forte e, acima de tudo, mantiveram vivo o sonho de levantar a taça, finalmente.

5. França 10 - Argentina 34

O jogo que ninguém queria disputar. De orgulho ferido, as equipas subiram ao relvado sabendo que seria o último que os respectivos treinadores as orientariam. Bernard Laporte seguirá a carreira política e Marcello Lofreda embarcará para Inglaterra, onde irá treinar os Leicester Tigers. Os franceses pareciam estar a dominar a partida, com muita posse de bola no meio campo argentino, mas os sul-americanos, com uma defesa de ferro, repeliram as investidas dos Bleus. E no contra-ataque provaram que as cobras não dormem. Da primeira vez que entraram com posse de bola nos 22 metros franceses, Felipe Contepomi marcou um ensaio que se encarregou de converter. E quando os franceses ainda pensavam no que lhes tinha acontecido, eis que os Pumas entram novamente nos 22 e Hernández tenta o pontapé de ressalto. A bola bate no poste para alívio momentâneo dos gauleses pois acabou por ressaltar para Roncero que em cima da linha de ensaio é placado mas consegue deixar a bola em Hasan Jalil que mergulha e aumenta a vantagem. A partir daí, vimos os franceses a tentarem salvar a honra do convento, mas os argentinos provaram que são, de facto, uma das melhores equipas do mundo: muralha de ferro nos 5 metros, ataques rápidos e letais, handling perfeito, corridas e jogadas de três quartos como não se viram neste mundial (e noutros) e o resultado só podia ser um: os homens da América do Sul, a quem ninguém dava muito crédito, acabaram por dançar o Tango da celebração em pleno Stade de France.

Queria referir ainda o África 37 - Fiji 20, o Irlanda 14 - Geórgia 10, o Roménia 14 - Portugal 10, o Austrália 10 - Inglaterra 12, o Samoa 15 - Tonga 19 e o Geórgia 30 - Namíbia 0. Excelentes jogos, sobretudo aqueles em que os "minnows" estavam envolvidos. Paixão, garra, honra, glória; alguns adjectivos e epítetos que podem ser atribuídos aos homens que vão para lá porque querem elevar o nome dos respectivos países ao mais alto nível. Uma inspiração para todos aqueles que seguiram de perto o Mundial. E é por isso que quando se fala em reduzir de 20 para 16 equipas o Mundial de 2011 devemos todos dizer: "NÃO!".

Até 2011, na Nova Zelândia!

18.10.07

Acordar

Adoro acordar a meio da manhã depois de uma boa e longa noite de sono. Quando posso, claro.

Se acordo a meio da manhã tendo já faltado a aulas ou a qualquer coisa importante, não tem o mesmo sabor.

Gosto de acordar a meio da manhã porque ouço o movimento das pessoas nas ruas, os carros, o sino da igreja a marcar as horas. Gosto de preguiçar mais uns minutos na cama, de fazer planos para esse dia, ver o sol iluminar fracamente o meu quarto por entre as persianas, regatear com o despertador até chegar à hora certa para me levantar enquanto lá fora as pessoas tratam da sua vida e fazem a economia movimentar-se.

Hoje acordei por volta das 11h00 a mais do que tempo para a minha única aula de hoje, Direito para a Economia e Gestão. Fiz a barba, tomei banho, almocei e fui para Faculdade.

Foi bom ter acordado àquela hora, sobretudo depois de um dia particularmente longo, que acabou com um treino de rugby da equipa de Sevens da minha Faculdade e uma reunião dos Campinácios no meu antigo colégio.

Foi bom porque hoje tenho mais um dia longo. Mas isso já assunto para uma próxima vez.

27.9.07

Curiosidades

Sabiam que as enfermeiras, no tempo do Estado Novo, não podiam casar? Ou que médicos não podiam casar com farmacêuticas? E que, no Brasil, as hospedeiras se chamam "aeromoças" (Ok, esta devem saber se viram o anúncio da Caixa com o Scolari)?

Porque é que nos livros e nas séries e filmes, os fotógrafos ou são sempre tipos com aspecto aventureiro, barba rala de três dias, lenço ao pescoço e camisa beige à Indiana Jones ou então são tipos gordos de suspensórios? Já repararam que na ficção nunca há um fotógrafo completamente mediano, que não se sobressaia da multidão?

Ainda ontem estava numa conferência, na minha faculdade, da Semana dos Novos Economistas (ciclo de conferências organizado pela Ordem dos Economistas) e o fotógrafo que estava a cobrir o evento era, de facto, um tipo gordo de suspensórios. Engraçado.

Também ontem fui ao aeroporto receber os Lobos. Tirei algumas fotos com eles (que oportunamente estarão disponíveis no álbum de fotografias do Mundial) e, confrontado com os seus agradecimentos por ter ido lá recebê-los, repliquei que eu é que lhes agradeço a sua raça, dignidade e vontade de levar o nome de Portugal mais longe.

Porque isso é bem mais do que qualquer pessoa tirada da multidão que critica os nossos jogadores arbitrariamente já fez por Portugal.

Hmm, deixou de ser um post de curiosidades para passar a ser um post político. Enfim.

Por outro lado, o sangue do meu sangue lembrou-se de um dos meus ditos preferidos (a modos que um dos meus lemas): "Homem prevenido vale por mil e quinhentos". Está aqui.

Obrigações profissionais e pessoais têem-me impedido de escrever aqui, mas isso será alterado durante esta semana.

Até lá.

14.9.07

Na vila mais antiga de Portugal

Vou passar este fim-de-semana em Ponte de Lima para ir às Feiras Novas, a tradicional festa do concelho.

Não há muito mais a acrescentar, excepto que depois farei um post pormenorizado, com fotos e tudo. Ah!, e o "dossier" Campeonato do Mundo de Rugby continua a ser actualizado - bem, agora nestes dias não, mas adicionei as Pools e respectivas classificações. É um começo.

Noutros aspectos, e continuando com os posts futuros, quando tiver tempo farei um relatório da viagem que fiz à Grécia entre Agosto e Setembro, também com imagens.

Bem hajam.

11.9.07

O Campeonato do Mundo



Começou dia 7 o Campeonato do Mundo de Rugby na França. Conta com 20 nações do mundo inteiro sendo que apenas uma delas é totalmente composta por praticantes da modalidade amadores: a Selecção Portuguesa, vulgo, Os Lobos.

No primeiro jogo, a Argentina bateu a França (nação organizadora e uma das favoritas à conquista do Troféu Webb Ellis) por 17-12, causando a primeira surpresa do torneio. Outros jogos seguiram-se; a Austrália destruiu o Japão por 91-3, a África do Sul venceu Samoa (59-7) num confronto entre dois dos packs avançados mais pesados do Campeonato sendo que foi um ponta dos Springboks, Bryan Habana, ao marcar 4 ensaios e tomando a dianteira na tabela de marcadores a grande figura do jogo (apesar de não ter sido considerado o melhor jogador em campo); a super favorita Nova Zelândia confirmou o seu favoritismo ao arrasar as linhas italianas por uns expressivos 76-14 (os All Blacks são o nº 1 do ranking mundial, enquanto que a Itália é a nona melhor selecção do mundo actualmente - Portugal é a 22ª).

As nações do Reino Unido venceram todas os seus jogos com mais ou menos dificuldade, apesar de defrontarem equipas bem mais fracas: a campeã em título Inglaterra bateu os seus "filhos" dos Estados Unidos por 28-10, numa exibição profissional e eficaz, a Irlanda desfez-se facilmente da Namíbia por claros 32-17 e Gales sofreu para vencer o Canadá por 42-17 (o resultado é enganador). A Escócia venceu os amadores portugueses por 56-10 num jogo que fica marcado, para além da estreia de Portugal na alta roda mundial do Rugby, pelo primeiro ensaio marcado pelos Lobos. O autor foi Pedro Carvalho, ponta fechado de Portugal e a festa foi intensa, mesmo nas bancadas onde para além dos milhares de portugueses, entusiastas da modalidade vibraram com este feito.



A Selecção Nacional, que bramiu o hino como nunca ninguém o tinha visto (em baixo, no fim do post) teve ainda a honra de ter nas suas fileiras o homem do jogo: o Capitão Vasco Uva, nº 8 de posição, que, num rasgo de humildade, disse que o prémio era para toda a equipa e que ele apenas tinha tido tal consideração pois era o Capitão.

Perdemos, sim, mas ganhámos a enorme batalha que foi chegar ao Mundial e começa a ser divulgada a modalidade em Portugal, o que é sem dúvida o mais importante.

Depois de tanta acção na primeira ronda, a segunda começou hoje e os Pumas (Selecção Argentina) venceram com facilidade os Georgianos por 33-3. Continuam a espalhar bom rugby, os únicos Sul-Americanos presentes na Fase Final.

Esta segunda ronda promete: teremos um duelo de campeões entre os vencedores em título e os de 1991 num escaldante Inglaterra - África do Sul no Pool A. Os Springboks, embalados pelo bom começo, tentarão vencer a equipa da Rosa Vermelha que não teve uma preparação brilhante para o Mundial. Temos também um Austrália - Gales: os poderosos Wallabies querem conquistar o seu terceiro título e Gales vem de bons resultados e são a oitava equipa a nível mundial. Será um interessante duelo entre a técnica do hemisfério sul contra o poderio físico dos galeses que são das equipas fisicamente mais imponentes do hemisfério norte. Mas sem dúvida, todas as nossas atenções devem estar viradas para isto:

Os All Blacks vão efectuar a Haka, dança tradicional dos Maori, perante os Lobos. Será, sem dúvida, o momento alto da participação portuguesa no Mundial (excepto se ganharmos algum jogo, o que não é de todo impossível).

Tomaz Morais, seleccionador nacional, já disse que perder por menos de 100 é vitória. A ver vamos. Eu, pessoalmente, creio que pontuar será uma vitória e se conseguirmos evitar que eles batam o recorde (142-0) dos mundiais, então sim, poderemos falar em grande vitória. Mas fico muito satisfeito se os Lobos derem o seu melhor, que sei que vão dar.

Noutras notas, um grupo de portugueses decidiu apoiar os Lobos de uma maneira especial. Auto-intitulam-se Lobos Maus Comás Cobras e viajaram numa "pão-de-forma" chamada Teresinha da Conceição (!!) até França onde irão assistir aos jogos dos Lobos. Já apareceram no jornal A Bola e puseram online uns quantos trailers do filme que planeiam fazer, documentando toda esta experiência; por cá esperamos. Adicionei também, no painel ao lado, um separador dedicado exclusivamente ao Mundial de Rugby. Terá links, resultados importantes e notícias avulsas.

Posto tudo isto, apenas me resta partilhar convosco um momento arrepiante:



FORÇA LOBOS!