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29.12.08

[Ventos de Nordeste] Entre cá e lá

MGMT - Time To Pretend

Primeira semana em Lisboa, Portugal, primeira semana longe de Helsinki, Finlândia. Custa habituar a estar entre vidas: ainda não vi todos os meus amigos nativos mas pouco ou nenhum contacto tenho mantido com os que por lá ficaram ou já para longe também viajaram.

É tempo de fingir habituações e adaptações rápidas: veio o Natal e com ele trouxe a família e almoçaradas e jantaradas longas e vem agora o Ano Novo que trará mais viagens para fora de Lisboa e amigos e festa e animação.

Mas enquanto não recomeçar a verdadeira rotina, aulas, estudo, algo que estimule toda a vida diária, vivo entre vidas, entre Lisboa e Helsinki, entre a vida antiga e a vida de Erasmus, entre os sentimentos contraditórios de saudades e de alegria.

Vivo em vida emprestada porque ainda não deu para agarrar-me a uma só.

19.12.08

[Ventos de Nordeste] Horas



A 76 horas de voltar a Portugal, resta-me alegrar pelas lágrimas que causo, pelas memórias que deixo, pelas canções que empreendo.

A tempo suficiente de voltar, a tempo de deixar marcas nesta terra, neste país, nesta vida.

Adeus amigos, adeus que me vou. Adeus Finlândia, adeus Suomi, adeus mas até já nas memórias!

Há ainda tempo para mais, espero. Há, certamente, tempo e espaço para aventuras e desventuras. Porque tudo o que me espera em Portugal se vai orgulhar do que aprendi, vivi, fiz, conheci, experimentei...

Quase, quase a voltar, fica o repto de expectativa de ver quem me espera no burgo...


11.9.07

O Campeonato do Mundo



Começou dia 7 o Campeonato do Mundo de Rugby na França. Conta com 20 nações do mundo inteiro sendo que apenas uma delas é totalmente composta por praticantes da modalidade amadores: a Selecção Portuguesa, vulgo, Os Lobos.

No primeiro jogo, a Argentina bateu a França (nação organizadora e uma das favoritas à conquista do Troféu Webb Ellis) por 17-12, causando a primeira surpresa do torneio. Outros jogos seguiram-se; a Austrália destruiu o Japão por 91-3, a África do Sul venceu Samoa (59-7) num confronto entre dois dos packs avançados mais pesados do Campeonato sendo que foi um ponta dos Springboks, Bryan Habana, ao marcar 4 ensaios e tomando a dianteira na tabela de marcadores a grande figura do jogo (apesar de não ter sido considerado o melhor jogador em campo); a super favorita Nova Zelândia confirmou o seu favoritismo ao arrasar as linhas italianas por uns expressivos 76-14 (os All Blacks são o nº 1 do ranking mundial, enquanto que a Itália é a nona melhor selecção do mundo actualmente - Portugal é a 22ª).

As nações do Reino Unido venceram todas os seus jogos com mais ou menos dificuldade, apesar de defrontarem equipas bem mais fracas: a campeã em título Inglaterra bateu os seus "filhos" dos Estados Unidos por 28-10, numa exibição profissional e eficaz, a Irlanda desfez-se facilmente da Namíbia por claros 32-17 e Gales sofreu para vencer o Canadá por 42-17 (o resultado é enganador). A Escócia venceu os amadores portugueses por 56-10 num jogo que fica marcado, para além da estreia de Portugal na alta roda mundial do Rugby, pelo primeiro ensaio marcado pelos Lobos. O autor foi Pedro Carvalho, ponta fechado de Portugal e a festa foi intensa, mesmo nas bancadas onde para além dos milhares de portugueses, entusiastas da modalidade vibraram com este feito.



A Selecção Nacional, que bramiu o hino como nunca ninguém o tinha visto (em baixo, no fim do post) teve ainda a honra de ter nas suas fileiras o homem do jogo: o Capitão Vasco Uva, nº 8 de posição, que, num rasgo de humildade, disse que o prémio era para toda a equipa e que ele apenas tinha tido tal consideração pois era o Capitão.

Perdemos, sim, mas ganhámos a enorme batalha que foi chegar ao Mundial e começa a ser divulgada a modalidade em Portugal, o que é sem dúvida o mais importante.

Depois de tanta acção na primeira ronda, a segunda começou hoje e os Pumas (Selecção Argentina) venceram com facilidade os Georgianos por 33-3. Continuam a espalhar bom rugby, os únicos Sul-Americanos presentes na Fase Final.

Esta segunda ronda promete: teremos um duelo de campeões entre os vencedores em título e os de 1991 num escaldante Inglaterra - África do Sul no Pool A. Os Springboks, embalados pelo bom começo, tentarão vencer a equipa da Rosa Vermelha que não teve uma preparação brilhante para o Mundial. Temos também um Austrália - Gales: os poderosos Wallabies querem conquistar o seu terceiro título e Gales vem de bons resultados e são a oitava equipa a nível mundial. Será um interessante duelo entre a técnica do hemisfério sul contra o poderio físico dos galeses que são das equipas fisicamente mais imponentes do hemisfério norte. Mas sem dúvida, todas as nossas atenções devem estar viradas para isto:

Os All Blacks vão efectuar a Haka, dança tradicional dos Maori, perante os Lobos. Será, sem dúvida, o momento alto da participação portuguesa no Mundial (excepto se ganharmos algum jogo, o que não é de todo impossível).

Tomaz Morais, seleccionador nacional, já disse que perder por menos de 100 é vitória. A ver vamos. Eu, pessoalmente, creio que pontuar será uma vitória e se conseguirmos evitar que eles batam o recorde (142-0) dos mundiais, então sim, poderemos falar em grande vitória. Mas fico muito satisfeito se os Lobos derem o seu melhor, que sei que vão dar.

Noutras notas, um grupo de portugueses decidiu apoiar os Lobos de uma maneira especial. Auto-intitulam-se Lobos Maus Comás Cobras e viajaram numa "pão-de-forma" chamada Teresinha da Conceição (!!) até França onde irão assistir aos jogos dos Lobos. Já apareceram no jornal A Bola e puseram online uns quantos trailers do filme que planeiam fazer, documentando toda esta experiência; por cá esperamos. Adicionei também, no painel ao lado, um separador dedicado exclusivamente ao Mundial de Rugby. Terá links, resultados importantes e notícias avulsas.

Posto tudo isto, apenas me resta partilhar convosco um momento arrepiante:



FORÇA LOBOS!