4.10.08

[Ventos de Nordeste] Viagens e classe


Kevin Shields - City Girl

23 de Setembro de 2008, 6h da manhã. Acordo e levanto-me imediatamente, sem regatear. Tomo um duche rápido, como um pequeno almoço também rápido (cereais em 2 minutos ao poder!) e saio de casa, não sem antes esperar 2 minutos pelo Romain. Assim que saímos da porta do prédio encontramos o Rodrigo, também pronto a ir. Todos de mochila às costas, poderíamos ir para a Hanken, mas não. Dirigimo-nos para o metro onde esperamos pelas raparigas. Até aqui tudo normal, não fosse o nosso destino desse dia 
Tallinn, capital da Estónia. Entre chegarmos a Kamppi e procurarmos o autocarro que nos leva ao porto de onde saiem os ferries, uma correria e grande confusão. Como o próximo só sai daí a 45 minutos (precisamente a altura em que tínhamos que estar a comprar os bilhetes), vamos a pé até à Central Railway Station onde apanhamos o autocarro 25. Uma vez lá dentro, contamos os minutos para ver se conseguimos estar às 7h45 no porto. Conseguimos! Entramos no terminal e compramos os nossos bilhetes para o ferry da Eckerö Line (15 euros ida e volta, um docinho!) e quase depois de embarcarmos, a viagem começa.

Da esquerda para a direita: Romain, Rodrigo, Goga, Maria (lê-se Maja) da Rússia, Caroline da Bélgica, Cynthia também da Bélgica. Falta a Anabelle, francesa, que está a tirar esta fotografia.

Sem muito para contar da viagem, excepto que estivemos no bar a maior parte das 3 horas (sim, 3 horas para fazer 90 km) e, talvez impulsionados pelo álcool matinal, casais de idosos a dançar ao som da música das bandas que passaram pelo bar. Enfim...


Uma vez chegados às 11h, atacámos de imediato os objectivos mais turísticos: a cidade velha, que é mesmo bonita e diferente de tudo o que já tinha visto (bem-vindo ao Báltico, Goga), as ruas típicas (vazias de pessoas àquela hora) e as Igrejas mais importantes, entre as quais a de St. Olaf, cuja torre mede 124 metros e é omnipresente em toda a cidade. Incidentalmente, sabiam que esta Igreja foi, em tempos, o edifício mais alto do mundo?

A Igreja em si é igual a todas as outras igrejas luteranas: muito austera e com pouca vida. Mas a torre, cuja visita custa 45 Kr. (3 euros), é fantástica. A subida é muito cansativa (escadas em caracol, mal iluminadas e íngremes com largura muito reduzida) mas faz-se bem.


Momento de descanso nos bancos de pedra: a Anabelle é a rapariga loira do fundo.


Eu, no topo da Torre, com Tallinn a espraiar-se atrás de mim.


Rua típica de Tallinn, na cidade velha.


Depois da Torre e de mais algumas coisas, decidimos almoçar na Praça Central, num restaurante italiano (na fotografia). Comemos umas pizzas enormes (cujas fotografias não tenho!) e muito boas. Para pagarmos, tivemos alguns problemas, porque não conseguimos levantar dinheiro nas caixas da Praça Central. Felizmente, pudemos pagar em euros e com cartão, mas mesmo assim houve algumas hesitações: o empregado disse-nos que nos restaurantes a taxa de câmbio era 13,5 Kr. por 1€, ao contrário do que era nas lojas: 15 Kr. por 1€. Enfim, lá pagámos sem demais problemas - a Caroline, que nem uma verdadeira contabilista, deu uma lição de manuseamento da calculadora ao empregado. Depois do repasto, decidimos continuar a visita; afinal, só tínhamos até às 17h. Uma vez que se faz tudo muito bem a pé (é uma cidade relativamente pequena), continuámos a andar pelas ruas, com a Anabelle a fazer de guia e às vezes eu e o Rodrigo a corrigirmos algumas desorientações, de mapa em punho.


As ruas de Tallinn são um misto de ruas mediterrânicas (viradas para o mar) com edifícios coloridos e baixos com influências gregas (calçadas de basalto e flores por todo o lado). São muito bonitas e é uma viagem que aconselho a quem estiver pelo Báltico, Finlândia, Suécia ou Rússia.


Eu, com a Casa de Portugal atrás de mim. Uma lojinha de vinhos, infelizmente fechada àquela hora.


Uma goteira de ferro forjado em forma de bota. Tirei esta fotografia porque, para além de ser uma coisa original, no meu guia (obrigado, avô!) da Lonely Planet está esta fotografia no ângulo inverso. Em Tallinn há imensos ferreiros e o ferro forjado, como em Lisboa, está presente em quase todas as varandas. Depois de almoço e de mais algumas visitas, fizemos algumas compras. Comprei um badge da bandeira da Estónia para o meu overall, traje académico aqui da Finlândia, e procurei casinhas típicas de Tallinn para oferecer à Constança, mas não encontrei nenhumas giras. Fica para a próxima.


Catedral Ortodoxa de Alexander Nevsky, vestígios da ocupação russa do século XIX.

Depois de tantas aventuras e desventuras (incluíndo a busca incessante da fábrica de chocolate pela Anabelle e a Caroline, que a encontraram mesmo!), fomos todos ter ao porto pelas 16h40 a tempo de embarcarmos às 17h. Nova viagem, agora de 3h30, tranquila e sem grande história. Fica aqui uma imagem do pôr do sol sobre o Golfo da Finlândia:



Nesse mesmo dia, vim a saber mais logo que tinha havido um tiroteio numa escola em Kauhajoki, cidade a 400 km a noroeste de Helsinki. O dia seguinte foi de luto nacional, declarado pelo Governo Finlandês. As ruas vestiram-se de bandeiras nacionais a meia-haste e os finlandeses pareciam um pouco mais sombrios do que o habitual.

Daft Punk - One More Time

A maioria dos alunos de Erasmus daqui estão a fazer a cadeira de International Business. O primeiro de 2 papers individuais tinha sido entregue uma semana antes e, na 4ª feira, dia 24, as notas saíram. Durante a lecture, estava à procura (no meu Mac) dos slides para ir acompanhando, quando reparei que no site com os conteúdos da cadeira
 já estava o ficheiro excel com as classificações até à altura. Procurei a minha nota e, sem a dizer a ninguém, perguntei aos meus amigos os seus números para lhes dizer as suas notas. Quando finalmente alguém me perguntou quanto tinha tido, respondi de forma despreocupada: 5 pontos, em 5. E, agora para consumo familiar (e do meu ego), em 135 alunos, só houve dois 5, sendo que o meu foi o único dos alunos Erasmus. Pois é, eu sei, obrigado pelos elogios!

1.10.08

[Ventos de Nordeste] Andar aos papéis (literalmente)



Um paper para International Business na 2ª Feira, duas páginas. Um resumo de outras duas páginas sobre o tema que vou desenvolver para o Term Paper da cadeira de Economics of Organisation and Information que enviei ontem (esperando que o assistente aceite o tema). Escrever 5 páginas para o Group Assignment de IB até 6ª Feira, sendo que ontem fiz a pesquisa toda, ou quase toda, e ficar apreensivo com o facto de apenas ter material para escrever umas 3 páginas.

Ok, talvez consiga puxar para 4 se inventar (o que melhor faço). Hmm, poderão até ser 5, se incluir gráficos e imagens. É que escrever sobre as dificuldades sentidas pela IKEA no processo de internacionalização não é propriamente tema para uma dissertação...

E, após uma lecture bem aborrecida (o tema até era interessante: M&As: post-merger integration) em que quase adormeci mais do que uma vez, com a perspectiva de uma aula de Sueco e depois ter que trabalhar a tarde toda, começo a pensar que se calhar hoje não vai dar. Mas nada como ir à cantina e servir-me de um double expresso em que fiz batota e carreguei outra vez no botão de servir, sendo então que tomei um expresso quádruplo (ok, admito que roubei e só paguei o expresso duplo mas foi por boas razões: um expresso custa €1.30, o mesmo que um expresso duplo, portanto acabei por pagar €0.325 por cada café... preço justo!) para simplesmente manter-me acordado. E está a funcionar. Lidarei com eventuais envenenamentos por cafeína depois...

É caso para se dizer que ando aos papers, literalmente.

26.9.08

[Ventos de Nordeste] Finlândia, um mês depois


Jean Sibelius - Finlandia

Passado um mês que cheguei cá, posso fazer um balanço destes primeiros 31 dias pela terra do Nordeste (ou Norte, para eles).

As coisas más:

1. A distância da minha casa ao centro de Helsinki: todos os dias, demoro pelo menos meia hora a chegar à faculdade. Começa a cansar... Até porque se formos sair à noite, ou voltamos pela uma e meia no último autocarro ou esperamos ao frio pelo primeiro metro.

2. O tempo: apesar desta semana ter estado muito sol e algum calor, não apaga o facto do frio que se insinua a cada dia que passa. Não que não soubesse no que me vinha meter, é só porque é irritante. E eu até gosto de frio...

As coisas boas:

1. O país em si: não há palavras para descrever a beleza que nos invade assim que saímos de Helsinki. Têm que vir cá ver com os vossos próprios olhos.

2. Tudo funciona (ou quase tudo): há sempre soluções para quaisquer problemas, basta ter paciência e confiança. As pessoas confiam todas que os outros vão respeitar a lei, a propriedade e a ordem. E isso acontece.

3. Os amigos: sejam eles estudantes Erasmus ou lá da Hanken, posso dizer que já fiz grandes amigos aqui.

4. A falta de saudades (asfixiantes) da família, dos amigos, de Lisboa, de Portugal... Claro que sinto a falta, mas não ao ponto de ser impeditivo de me divertir.

5. As viagens: está tudo aqui tão perto, que é criminoso não viajar. Tallinn, Estocolmo, São Petersburgo são alguns exemplos, mas na Finlândia e perto de Helsinki temos Porvoo, Tampere, Turku e um bocadinho mais longe Rovaniemi, na Lapónia.

Com mais coisas boas que más (e que as suplantam facilmente), obviamente que faço um balanço positivo da minha estadia cá. Daqui a um mês vamos lá ver se continua assim.

P.S. : A composição para orquestra que seleccionei como música para este post, é a obra Finlandia, Op. 26 (obrigado Nana, por me teres mostrado isto em Sousel - há tanto tempo, já...), de Jean Sibelius, o mais famoso compositor finlandês. Esta peça é considerada por muitos como a música que serviu de combustível para o movimento de resistência finlandesa durante a ocupação russa no Século XIX. Os últimos três minutos são indiscritivelmente belos. Todo este poema sinfónico é inspirador e arrepia. Como a própria Finlândia.

25.9.08

[Ventos de Nordeste] Parar. Recomeçar


Talvez sejam as 13 horas dormidas nas últimas 72. Talvez seja o stress de entregar mais um paper na 2ª feira e outro na próxima 6ª. Talvez seja porque os meus cartões bancários hoje se rebelaram contra mim e não me deixam levantar dinheiro. Talvez seja o facto de ter tido uma aula de economia misturada com estatística às 8h30. Talvez, até, seja a proximidade de um Sporting - Benfica.

Mas a verdade é que hoje tenho que dormir a tarde toda. E nem coragem tenho de ir ter com os que foram estudar para a praia.

18.9.08

[Ventos de Nordeste] Meandros e momentos finlandeses


Natural Calamity - Dark Water & Stars

Se há coisa que os Finlandeses gostam (para além de sauna, Natureza, falar sobre o tempo, telemóveis, hoquéi no gelo e beber muito álcool), é das suas cottages. Pequenas casas nos infindáveis bosques normalmente situadas junto de um lago ou mar, para onde quase todos se escapam com a família quando chega o fim de semana. Ora, o Exchange Committee que tão bem nos tem tratado, decidiu que essa seria uma das actividades finlandesas que nós não podíamos perder. Fomos todos então, no sábado de manhã para uma cottage perto de Porvoo / Borgå (lê-se Borgo - como em burgo, cidade), pequena cidade medieval 50 km a leste de Helsinki. 


Lá, fizemos alguns jogos antes de almoço (para encher chouriço), incluíndo um engracadíssimo: um jogo de futebol, onde todos os jogadores tinham que ter a visão tolhida por dois rolos de cartão, como se fossem binóculos. Como podem ver pela fotografia, eu estava em grande forma, e até estava a salvar um golo em cima da linha. Depois ainda fui a tempo de marcar um golo na segunda parte, o que nos garantiu uma vitória por 5-3! Grande futebolada, para abrir o apetite...


Depois de almoco, explorámos um bocado (cada um por si ou em pequenos grupos) a floresta e a costa, já que não estava nada programado para a tarde. Mas todos fomos derivando para a "praia" e a plataforma que servia de doca e prancha de mergulhos, onde aproveitámos um sol de Verão pouco comum por estes dias e preguiçámos a tarde toda.



Ao jantar, mais um sitz, tradicão sueca: muita comida, muita bebida e muita cantoria. Enfim, muita diversão. Após isto, a verdadeira tradicão finlandesa: a sauna! As raparigas foram primeiro, das 22h00 às 23h30, para depois ser o turno dos rapazes, entre as 23h45 e a uma. Nada mais revigorante que estar a suar que nem uma baleia num ambiente de 80 graus para depois ir dar um mergulho rápido ao mar - a temperatura do ar era algo como 5 graus e a água estava a 10-12 graus. E, como é óbvio, os verdadeiros finlandeses fazem isso nus, portanto também nós o fizemos!

Depois disto, continuou a animacão com uma discoteca improvisada para os mais resistentes - a esta hora uns quantos já tinham pendurado as botas. E só mesmo para os que continuaram uma prestação de altíssimo nível, sauna depois da festa. Sim, sauna às 3h30 da manhã. Escusado será dizer que no dia a seguir, ao pequeno almoço (e sim, tio, só dormimos umas 5 horas), todos estavam totalmente ensonados ou totalmente constipados. Eu não me inseria em nenhuma das categorias porque, bem... não sei porquê. Parece que os Portugueses são de têmpera rija. Depois do pequeno almoço e das arrrumações, voltámos para Helsinki e para casa.

Bush - Warm Machine

Para não acharem que eu ando aqui só na boa vida (não que não seja verdade - a boa vida, isto é), esta semana entreguei um paper para a cadeira de International Business. Tinha que analisar o caso de uma companhia finlandesa, a Lumene, que exporta cosméticos para a Rússia e Estados Unidos e depois ainda tive que fazer a discussão do caso num seminário. Trabalho muito exigente por uns dias, depois tem sido business as usual.

Ao mesmo tempo, temos tido muitos aniversários: a Linda, letã na terça passada, o Romain, meu room-mate e um dos meus melhores amigos nessa quinta feira e um dos Florians (alemães), o de barba, logo na sexta a seguir. Esta semana, foi a vez da Emiline, francesa, também na terça. Muitas razões para festejarmos!

Josh Radin - Winter

Frio, muito frio. Em Setembro, o que não é normal para ninguém que não os Nórdicos. Noutro dia chegou ao ponto de estarem 3 graus em Helsinki a meio da tarde. Enfim... Toda a gente continua a dizer que este foi um Verão muito frio e as opiniões dividem-se: se vamos ter um Inverno suave ou rigoroso. Há quem diga que em Outubro vai comecar a nevar em Rovaniemi e ainda antes de Novembro em Helsinki. Há quem afirme, por outro lado, que não neva aqui antes de Dezembro. Independentemente disso, sei que a partir do fim de Novembro os dias vão ter 4 horas, portanto se neva ou não, acaba por se tornar irrelevante...

Adriana Partipim - Fico Assim Sem Você

Bebés: geralmente uma coisa engracada de se ver, aqui ainda mais. E explico porquê. Aqui, as criancas são como os adultos, loiros, grandes e calados. Até agora, e sem contar com os bebés filhos dos imigrantes, todos os bebés que vi eram grandes, gordos e loiros e bastante sossegados nas suas cadeirinhas que mais parecem tanques. As cadeiras aqui são cobertas por um tecido impermeável (para não deixar entrar a chuva) e reforcadas com mantas (para não deixar entrar o frio). Já a salvo dos elementos, os bebés podem então descansar e dormir ou então brincar nas suas mesas de actividades - sim, as cadeiras têm mesas de actividades. É normal ver um bebé a brincar com o biberão cheio de leite (claro) ou com outra coisa qualquer na mesinha que passa por cima dos seus joelhos. Algumas até têm um volante... Agora entendo o porquê da Finlândia ter tantos pilotos famosos (Tommi Mäkinen, Juha Kankkunen, Mika Häkkinen, Kimmi Räikkönen, ...).

Ah, e não é possível andar de metro sem se verem pelo menos uns 3 bebés. Alguns casais até andam com dois ao mesmo tempo: um com um ano de idade e outro aí com uns 3 meses. Bastante diferente do que se passa em Portugal, infelizmente. E sim, isto é uma pequena indirecta às saudades que tenho da Ticas...

The Solids - Hey Beautiful

Séries, o melhor amigo do estudante erasmus. Porque, apesar das festas, apesar das aulas, apesar das conversas no skype com amigos e família, apesar das futeboladas e ginásio, há sempre horas para matar. E as séries que mais tenho visto (ou melhor, as únicas que tenho visto, até porque ainda só descarreguei estas) foram a grande favorita aqui de todos, How I Met Your Mother, mas também Pushing Daisies, Supernatural e The Lost Room, que só tinha visto um episódio em Lisboa antes de vir, mas chamou-me à atencão. Boas horas em frente do Mac no meu quarto, a salvo do frio e chuva que lá fora assolam o bairro de Harustie.

11.9.08

[Ventos de Nordeste] - Apontamentos e Considerações

Bloc Party - Flux


3 apontamentos:

1. Se eu andar na rua a uma determinada hora (digamos, às 11h15) como ontem, na Runeberginkatu (a que liga a estação de Kampi à Hanken), posso parecer alto. E explico as minhas razões para pensar assim: a essa hora, todos as crianças estão nas aulas; todos os jovens adultos estão ou nas aulas da faculdade ou no emprego. Então, quem anda na rua a essas horas são, principalmente, os idosos (que são baixos para a média finlandesa ou que já começaram a minguar) e os turistas, que não são nórdicos. Assim, é possível para mim, que já sou baixo para os padrões portugueses, parecer alto na Finlândia.

2. Continuando na senda da altura: os funcionários da cantina da Hanken, onde tenho almoçado todos os dias por 2,20€, devem achar que eu ou estou em crescimento ou então estou sub-nutrido. E é por isso que dia após dia continuam a servir-me doses industriais de strogonoff de porco, fatias gigantes de pizza, quilos de massa e litros de sopa. Para que eu cresça mais um bocado, se calhar. Só se for para os lados... (não se preocupe mãe, também como sempre um prato de salada)

3. Os ginásios universitários de Helsinki funcionam muito bem. Por apenas 40€ tenho três meses de acesso a quaisquer instalações. Costumo ir ao da Administration Building, que fica na cave do edifício dos serviços administrativos da Helsingin Yliopisto (Universidade de Helsínquia ou Helsingfors Universitet). Depois de exercícios nas máquinas, vou à sauna e costumo fazer o mini-ciclo: 5 minutos, duche de água fria, 3 vezes. O ciclo normal são 15 minutos.


2 considerações:

1. Receber encomendas de casa é óptimo. Não só se tem a satisfação de chegar a casa e ver o que veio (camisolas de , bolachas e um impermeável na primeira remessa, a título de exemplo), mas ainda a de se andar na rua com pacotes e ver os olhares de inveja das outras pessoas. Enfim, um Natal mais cedo.

2. Lavar a roupa, o grande papão dos alunos Erasmus daqui. Mas, mal ou bem, lá consegui fazer duas máquinas: uma de roupa escura e outra de roupa clara. E saiu bem, claro.

7.9.08

[Ventos de Nordeste] - Primeira semana, primeiros passos fora do ninho



O bloco 7 de Harustie é habitado principalmente por estudantes, a maioria dos quais de Erasmus (e onde cerca de 85% dos estudantes de Erasmus da Hanken estão), imigrantes e idosos. É, claramente, um bairro de gente sem grandes possibilidades como se consegue ver pela total ociosidade dos jovens locais, que a seguir às aulas ficam no largo a falar, andar de bicicleta e fumar. Apesar disso, é a nossa casa agora e ainda todos nos estamos a ajustar. Desde a
sauna que não aparece aos caixotes de lixo que permanecem incógnitos, aos encontros para ir para a Hanken ou a Helsinki no meio dos jardins com outros “Hankeits” (como somos chamados – estudantes da Hanken) ao já mítico prédio E, onde foram as House Parties até agora e onde provavelmente serão sempre.


Continuando a sequência dos acontecimentos do post anterior, lá fomos para a festa. Como ainda era o segundo dia, as pessoas mantinham-se em grupos com aqueles que já conheciam. Ao fim de algum tempo, começa-se a falar na hipótese de ir sair a Helsinki, a uma discoteca que aparentemente é muito boa. Céptico, começo por dizer que estou cansado e ainda não arrumei as coisas todas; além disso, amanhã temos que estar às 9h30 na Hanken... Aparece então a Johanna (a minha tutora) que me convence a mim, ao Alex e ao Erick (também alemão). Lembro-me então que não tinha trazido a máquina fotográfica! Enfim... Vamos todos então com ela e outra tutora (não me lembro do nome). Chegados à discoteca, entre Kampi e a Central Railway Station (nome em finlandês e sueco), estamos na fila enquanto 4 rapazes atrás do Erick (que mede 1,90m) conseguem ser mais altos que o alemão, cada um devia medir uns 2,05m – sem exagero. À entrada, a primeira vez (de provavelmente muitas) que me perguntam a idade. O curioso é que o segurança me perguntou em finlandês. Respondo sem hesitações: “I’m 21 years old.”ao que o segurança me pede desculpa e diz para entrar. Lá dentro encontramos mais estudantes da Hanken – umas raparigas belgas e francesas – e mais tutores. Fazemos a festa entre nós, mas só até às 1h30, porque a essa hora temos que ir apanhar o último autocarro que sai na Estação de Comboios antes das 2h00, a hora a partir da qual temos que pagar a tarifa nocturna. O nosso travel card é bom, mas não é assim tanto...

The Strokes – Red Light

No dia seguinte tento ligar-me à internet na Hanken e consigo – ainda que parcialmente e só durante uns 20 minutos. Disseram-me que a rede wireless está com alguns problemas porque estão a mudar os routers. Quer dizer, país de alta tecnologia mas se calhar nem tanto... Aproveito essa tarde então para começar a tirar fotografias e explorar um pouco a cidade. A andar sozinho por Helsinki, de auscultadores nos ouvidos, mochila às costas, confundo-me com os seus habitantes – estou mesmo cá. Começo a aperceber-me que isto afinal não é uma viagem com amigos, como as da neve ou a de finalistas. Não somos um grupo de jovens a brincar às casas nem aos turistas: somos estudantes de intercâmbio. Com a confiança renovada que tudo vai correr bem, continuo a andar por aí...


Na sexta-feira fazemos uma excursão de autocarro por Helsinki na
Helsinki Expert. Aí estava já embrenhado no grupo dos mexicanos e dos espanhóis, onde conheci o Fernando, o Mendi, a Irene e a Olga (todos do país nosso vizinho) e o Josué, a Estefania e a Lulu (Lourdes) e o Rodrigo, estes do México. Quando a nossa guia diz que também havia feito Erasmus, em Portugal, foi a festa no autocarro no nosso grupo, pois sou o único estudante de Portugal na Hanken. Aproveito para falar com ela português, língua longínqua já... Depois da visita, vamos todos comer uma espécie de donut com creme (de chocolate, de alcaçuz, de ovos...) em cima (rói-te de inveja, Homer Simpson) e depois seguimos todos para casa. Estava-se a planear uma saída à noite, mas não fui porque não ouvi o Rodrigo (que mora no apartamento ao lado do meu) a bater à porta. Enfim...


All India Radio – Far Away

Sábado, dia 30. Vamos com os tutors e quase todos os estudantes de Erasmus da Hanken de ferry para
Suomenlinna, uma fortaleza marítima numa ilha, onde fazemos um pic-nic e uns jogos de team-building. Antes de nos dirigirmos ao local onde vamos passar a tarde, paramos numa espécie de mini-mercado, onde o Otto (um dos tutores) nos aconselha a comprar bebidas, sejam elas alcoólicas ou não alcoólicas. “Muito responsável”, diz o Manel quando lhe conto isto. Começamos então todos a conhecermo-nos melhor, o que serve para quebrar o gelo e um bocado os grupos: até agora os alemães mantinham-se juntos, como os francófonos (franceses, canadianos e belgas) e em certa medida os que falam espanhol (eu incluído ☺). 


Nessa noite, há mais uma House Party (outra vez no ‘Party building’, o E) e depois vamos todos sair para o Club KY, uma discoteca muito em voga em Helsinki. Como nos pedem 7€ à entrada, eu, o Rodrigo e o Rafa (outro mexicano) desistimos de ir (até porque o último autocarro é às 2h e a discoteca fecha às 3h30 e isto eram umas 1h40) e decidimos ir comer um kebab. Pedimos para levar e ainda vamos a correr mas já não conseguimos apanhar o autocarro. Resignamo-nos a pagar 4 euros e sentamo-nos, desconsolados. Mas nem tudo é mau, pois encontramos a Riikka, finlandesa que esteve 3 anos em Portugal a estudar (em Lisboa e Braga) com o marido (também finlandês) e que estava muito contente por falar comigo em português. Deu-me o número dela e disse para eu lhe ligar, para um café ou algo do género. Simpáticos, ambos. Saímos na estação em frente à bomba de gasolina e despedimo-nos do Rafa que mora no prédio E. Eu e o Rodrigo comemos o nosso kebab (bem grande e picante – mas a ele não lhe sabe...) em casa dele e depois vou para minha casa dormir e recarregar baterias.

Sublime – Santeria

Domingo, dia de descanso e de compras. Vou ao Lidl em Itakeskus e depois ao SMarket em frente a casa. Quando estou no metro, de volta, e perante o cansaço, os olhos pesam e começam a fechar-se. E, numa passagem por cima de uma baía com o mar à minha volta, as saudades começam a aparecer e os pensamentos fogem para as pessoas que ficaram em Lisboa e Portugal. E depois para o que se passou entre o pequeno Goga que, no 5º ano, chegava a casa depois das aulas e lanchava e fazia os trabalhos de casa para brincar o resto da tarde toda. Ou o já mais crescidinho que esperava pacientemente no 8º ano pelo fim das aulas para às terças e quintas ter treinos de futebol no
Colégio e às quartas e sextas rugby no CDUL. E o Goga homenzinho do 11º que já tinha a vida toda planeada. E ao, já na faculdade, Diogo que arrancou para um semestre apostado em ser homem e trabalhar que nem um animal e fê-lo porque era a coisa acertada a fazer. E ao Diogo Maria, que no jantar de aniversário de 21 anos, encantou a família com um discurso que “emocionou a Avó”. Todas essas minhas encarnações conduziram-me aqui, a Helsinki, ao Nordeste. Daqui a uns anos, olharei para trás e verei esta fase da minha vida como decisiva, mas não exclusiva, para chegar onde quer que esteja na altura.

Bush – The Chemicals Between Us


2ª, 3ª e 4ª: aulas e outras coisas. Nada muito a dizer, apenas que esta não é a
rentrée habitual: frio, mau tempo, aulas logo a abrir Setembro e sem os amigos do costume. Difícil, mas não impossível. Entretanto, já com um telemóvel finlandês (um... Samsung B100 e não um Nokia, ao contrário do que seria de esperar...), aproveito para matar saudades da família (as chamadas e as mensagens são muito mais baratas!) e começar a desenvolver a rede de contactos aqui com os estudantes de Erasmus mas também com os nativos. Aproveito também para tirar fotografias a tudo o que surge como prova à família de que eu estou cá, respiro este ar, bebo todas estas experiências, rio-me, faço amigos, aprendo novas coisas, enfim, cresço.


2.9.08

[Ventos de Nordeste] - O começo de uma aventura, ou Crónica de uma partida, chegada e primeiro dia

LCD Soundsystem – Tribulations

6h00, o despertador toca. Sem dificuldade, levanto-me e dirijo-me para a casa de banho para o habitual duche matinal. Só já dentro da banheira e com a água quente a escorrer-me pelos ombros é que efectivamente me apercebo que este será o último duche em Lisboa durante muito tempo. Visto-me, com uma sweat-shirt e blusão (ridículo para Agosto em Lisboa) e calço as botas da Timberland, porque se fossem na mala aumentariam o excesso de peso que já contava com 8 kilos... A mãe acorda, o telemóvel vibra com uma mensagem do irmão que está a estudar e que pergunta qualquer coisa que me escapa. Como qualquer coisa à pressa, sem grande fome. Pego nas malas e ponho-me fora de casa.

Chego ao aeroporto pelas 7h15 e enquanto procuro o balcão do check-in, ainda não me tinha mentalizado que era mesmo para ir. Chega a minha vez, mostro, orgulhoso, o papel que imprimi e que tinha o código de reserva do bilhete (comprado pela internet, uma estreia!) e ponho a mala na balança. 28 kilos, 8 a mais do que o permitido, como previsto na velhinha balança lá de casa. Passam-me o recibo de excesso de peso, pago e entretanto chega a irmã, o cunhado e a sobrinha. Grande festa no balcão, à cigana. Pacotes de bolachas enfiados na mochila à pressa, dirijo-me então para o balcão 29 do check-in para poder receber o cartão de embarque. Com ele na mão, passa a ser real; vou mesmo embora daí a coisa de uma hora. Aparece entretanto o tio, vindo de Sintra de propósito para se despedir do sobrinho e afilhado. Ainda dá tempo (à portuguesa) para todos tomarmos um café e antes que me aperceba, já são 8h00 e tenho que me ir embora. Abraços, beijinhos, birra da sobrinha (“o pio vai embora, dê lá beijinho...”), adeus familhia que o benjamim vai para a Escandinávia.

No controlo de segurança, dizem-me para despachar-me que já estão a chamar pessoal para esse voo. Pego na mochila, na mala do portátil (que demorou épocas a tirar da mochila) e vou a correr para a porte de embarque 12. Como é óbvio, é na outra ponta do terminal. E eu, a correr com botas novas, de blusão e camisola, com uma mochila e um portátil nas mãos, lá consigo chegar a tempo do “last call for flight AY 922 to Helsinki”. Mostro o meu BI e cartão de embarque e desço até ao autocarro. Lá, enquanto tiro camisola, substituo botas por ténis e afins, liga-me a família a dar as últimas despedidas. Finalmente embarco no Airbus A320 da Finnair que me vai levar para a outra ponta da Europa.

Voo sem história, mas com algumas estórias. Desde os inúmeros chineses e indianos a bordo (claramente era um voo de ligação), ao bebé grande, gordo e loiro com um pijama de zebra (a ver se encontro um para oferecer à Teresinha), ao finlandês que à minha frente lê um jornal em que um artigo sobre o Deco e o seu golo de livre directo, em que chamavam ao médio do Chelsea “Decolla”, às pacatas três horas e meia de sono, entre uma refeição da qual não reza esta crónica até à simpatia das hospedeiras de bordo (primeiro contacto com mulheres nórdicas bem acima do metro e oitenta).

Começa a descida para Helsinki-Vaanta e a primeira impressão é que todo o pais é formado por lagos, ilhotas, baías e abetos (o que não está muito longe da verdade). Desembarco e sigo entre a hesitação e a temeridade as indicações em finlandês e sueco até aos tapetes onde espero uns 10 minutos até aparecer a minha mala. Um dia (ou um post) farei um inventário sobre o que veio para cá, para ver se será o mesmo que volta...

Fatboy Slim – Right Here, Right Now

Saio do terminal para o Arrivals Hall 2, onde me aguardam duas horas de espera pela “Tutor”, a Johanna, que só me pode apanhar pelas 17h45, sendo que são 15h40... Penso em comer qualquer coisa no café, mas aliado ao preço proibitivo de 4,5€ por uma sanduíche, está o impedimento de nem sequer saber o que é que as ditas contêm. Isto porque os painéis informativos estão em finlandês e sueco. Gorada a hipótese sanduíche, atiro-me às bolachas perdidas pela mochila enquanto saco do Mac (Macbook, o meu portátil) e ponho-me a ver o Any Given Sunday, pela sétima ou oitava vez...

Recebo uma mensagem da Johanna a dizer que havia chegado. Procuro-a e encontro-a, justamente de acordo com a sua descrição: muito alta e loira. Conheço também o Alex (alemão) e o Chris (belga). Como as malas não cabem todas no Volvo da Johanna, eu e o Chris seguimos num táxi para o nosso bairro, Harustie, nos blocos 7. O taxímetro corre alegre até à bonita soma de 40 euros (mas devo dizer que nos cinco minutos que esperámos pela Johanna e o Alex, o taxista deixou correr – pouco próprio de um homem que ouve Bob Marley e reggae). Assim que finalmente eles chegam, a Johanna dá-me as chaves de casa e leva-me ao bloco B, onde encontro o apartamento 012, a minha casa durante os próximos meses.

Jack Johnson – Flake

Entro e conheço o Romain, francês de Grenoble e provavelmente o único rapaz aqui mais baixo que eu (ou até conhecer o Rodrigo, mexicano – mas já lá vamos). Digo o meu nome e imediatamente começa a perguntar se não é Diego. Pronto, já ficou. Entro no meu quarto, aprendo o truque das fechaduras e começo a desfazer as malas. Vou conversando com o Romain e fico a saber que no outro quarto (somos três neste apartamento) está um canadiano, o Guillaume, provavelmente a dormir, apenas e só porque são sete horas de diferença do Quebec para aqui. Hmm, um francês e um canadiano francófono... Aqui começo a pensar que vou ter que estar de 10 em 10 minutos a pedir-lhes para falarem em inglês. Mensagem para a mãe a dizer que já cheguei, chamada da tia a perguntar se tinha tudo preparado. Quando respondo que estou a desfazer a mala, pergunta-me se não tenho avião às seis. Eu digo que sim, mas que tinha sido às seis... da manhã. Risota, diz para eu desligar por causa do roaming, não sem antes serem mandados beijinhos para cá e lá. Sim, o lá agora é Lisboa... Depois de arrumadas as coisas, eu e o Romain vamos ao SMarket em frente a casa comprar qualquer coisa para jantar. Visto que temos esparguete, decidimos comprar a única coisa que sabemos o que é: hambúrgueres, pois tudo o resto está em finlandês e sueco. E nem sequer sabemos de que tipo de carne são os hambúrgueres – foi uma simpática senhora que nos traduziu a descrição; aparentemente, são de mistura de carnes. Ok, vamos a isso, são baratos.

Faço a cama e estendo-me nela... Quando dou por mim são 22h15 – hora de Helsinki. Visto que o Romain não sabe cozinhar (como é que é possível?) e o Guillaume ainda dorme, começo a fazer a carne e a massa. Nisto, o canadiano aparece e começa também a fazer a comida dele. Um sujeito um bocado calado e reservado, mas simpático. Jantamos, frugalmente, mas bem dispostos. Como só temos internet a partir de dia 1 de Setembro, o dia em que começa o contrato, recolho ao quarto e deito-me porque no dia seguinte muita coisa há para fazer.

Moby – Go

Esta é a música que tinha posto no Awaken para acordar às 7h20. Faço os meus 30 abdominais e vou tomar um duche. Como uns Corn Flakes e seguimos os 3 para o Metro. Na estação de Rastila (em finlandês) ou Rastbole (em sueco), compro um bilhete de 2 euros (!) e encontro o Alex e o Chris. Seguimos os 5 (e todos os outros estudantes que viajam em grupos) para Kamppi / Kampen. Entramos na Hanken e temos a sessão de recepção e boas vindas.

Tratamos das burocracias (pagamento da inscrição na SHS, matriculação oficial na Hanken, assinatura do contrato de alojamento, registo no Maistraati - género de Ministério da Administração Interna - de Helsinki ou Helsingfors) com almoço pelo meio. Depois de tudo isto, aproveito para enviar um mail para casa e fazer a inscrição nas cadeiras e exames. Após isto, eu, o Chris e o Alex e mais uns quantos alemães vamos em busca da Estação Central de Comboios para fazer o passe de metro e autocarro mas assim que saímos da Hanken começa a chover. Bonito, Goga, nem sequer trouxeste impermeável para cá – lembrei-me nesse preciso momento, e assim já tenho uma encomenda de Lisboa para pedir. Apanhamos um tram e não pagamos (bandidos!) e lá chegamos a Lasipalatsi ou Glaspalatset (Palácio de Vidro), onde fica a estação. Como a agência da HKL está totalmente cheia, vamos à de Itakeskus ou Ostra Centrum (sim, muito estranho) e em 15 minutos todos os 7 de nós temos um passe que nos dá direito a andar de autocarro, metro, tram e comboio na área urbana de Helsinki. O Chris pergunta, a gozar, se também dá para táxis e é a risada geral na agência. Vamos então para casa.

Bossa n’ Roses – Patience

Começo a escrever os primeiros posts antes que as ideias saiam da cabeça ou a velhinha Moleskine onde estão estes apontamentos dê de si, mas saímos para fazer compras – no Lidl de Itakeskus, a duas estações de casa. Chegados finalmente, sento-me para escrever estas últimas linhas e ficar apreensivo com o tamanho do texto (1627 palavras até aqui). Vou então fazer o jantar e depois vamos seguir para uma festa no bloco E – a primeira “house party”, cuja descrição ficará para um próximo post.

1.9.08

[Ventos de Nordeste] - Prefácio

Desde sempre tive uma paixão por Itália: seja pela comida, seja pela paisagem que a esse pais é associada, pelo futebol, pela família, por tudo e mais alguma coisa. Por isso a escolha de Itália como destino de Erasmus sempre fosse uma escolha óbvia. E foi mesmo isso que fiz.

Quem estiver a ler isto interrogar-se-á porque estou a falar disto. Menciono isto porque sem se perceber o contexto, não se perceberá as razões deste início de “journal”.

Quando finalmente saíram as colocações do primeiro concurso de Erasmus da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, não fui colocado. E para Itália já não restavam vagas para o segundo concurso.  A ver a minha vida a andar para trás, decidi então participar numa reunião promovida pelos alunos que, à minha semelhança, não foram colocados no primeiro concurso. Tendo uma boa pontuação para poder escolher minimamente à vontade a vaga que quisesse, decidi então vir para onde estou.

Resumindo: queria ir para a Bolonha, em Itália e acabei em Helsínquia, na Finlândia.

Escolhido o destino e entregues os papeis, responderam-me da Hanken Swedish School of Business and Administration. Burocracias tratadas a eito e sem jeito (com total paciência por parte da responsável do International Office que me chegava a responder a mails só a dizer que as informações que eu queria estavam no site da Hanken – como é carinhosamente chamada por todos), arranjado alojamento e tratado o bilhete de avião – isto tudo durante a época de exames, stress a dobrar... – só me restava ir de férias e tratar das coisas que fossem necessárias mais tarde.

Depois de umas férias óptimas por esse Portugal fora, só me restavam as aventuras das compras e quejandos. Aqui tenho que fazer um agradecimento à mãe e a sua inesgotável paciência pelas voltas para trás e para a frente que deu comigo e pela ajuda que deu com as malas, ao pai pela ajuda financeira, aos manos pelos conselhos, aos avós pelas ideias de viagens, aos tios pelo encorajamento, aos amigos pelos planos marcados...

E quando dei por mim, dia 26 de Agosto tinha chegado e lá estava eu a ir para o aeroporto de Lisboa, prestes a partir...

31.12.07

Balanço

Chegando 2007 ao fim, podemos fazer o balanço musical destes últimos 12 meses.

Depois de em 2006 terem sido lançados grandes discos como First Impressions Of Earth dos The Strokes, Saturday Night Wrist dos deftones, The Hello dos Warren Suicide Carnavas dos Silversun Pickups, Black Holes and Revelations dos Muse ou ainda Sam's Town dos The Killers, estava gerada muita expectativa em torno de 2007. E essa expectativa não saiu gorada.

Desde o Rock até à música electrónica, praticamente todos os géneros musicais foram agraciados com excelentes trabalhos de músicos cada vez mais proeminentes. Faço então uma lista de todos os trabalhos essenciais (para mim) deste ano, sem ordem específica.


LCD SoundSytem - Sound Of Silver


(electronica, dance)

Melhores músicas: Someone Great; All My Friends; Sound Of Silver

Espectacular trabalho de James Murphy que regressa em grande estilo, depois do disco de estreia homónimo. Ao combinar de forma bastante agradável (e surpreendente) guitarras com sintetizadores, Sound Of Silver cria todo um Universo de sensações e estímulos aos nossos sentidos. Um dos melhores discos alguma vez produzidos do seu género; este é daqueles que entrarão para a História, sem dúvida alguma.

Arcade Fire - Neon Bible

(alternativa, indie rock)

Melhores músicas: Black Mirror; The Well And The Lighthouse; Neon Bible

Já havia referido este disco, e não é por acaso. Neon Bible transporta-nos para um mundo novo onde nos sentimos pequenos com a magnitude da sua beleza. Sentimos que todas as notas são tocadas especificamente para nos fazerem sentir algo, e provavelmente é verdade. Uma grande obra por parte de um dos melhores grupos de compositores dos últimos anos.

Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris

(hard rock, indie rock, desert rock)

Melhores músicas: Sick, Sick, Sick; Suture Up Your Future; River In The Road

Sem dúvida alguma, a surpresa do ano. Por duas razões: primeiro, porque sendo esta a minha banda preferida, não estava mesmo nada à espera que lançassem um disco este ano. Segundo, porque é dos melhores discos deles. Os últimos cowboys do rock (como lhes chamam) regressam triunfalmente com um trabalho em que pretendem relatar a mediocridade da era em que vivemos. Conseguem-no admiravelmente, sobretudo em faixas como Sick, Sick, Sick, I'm Designer e 3's & 7's. Este disco não vem alterar muito o rock que se faz por esse mundo de guitarras e casacos de cabedal fora mas vem recordar porque olhamos para eles com admiração. Por outro lado, este disco apanha todas as fases da sua carreira. Temos desert rock ao estilo do disco de estreia homónimo em River In The Road e Misfit Love; indie e rock acelerado como no Rated R em Suture Up Your Future e Batery Acid; rock puro e duro como em Songs For The Deaf (um dos melhores discos de sempre, a sua 'magnum opus' e um dos meus preferidos) em Sick, Sick, Sick e 3's & 7's e temos o rock melódico e alternativo de Lullabies To Parazyle bem presente em músicas como Into The Hollow e Make It Wit Chu. Por todas estas razões, afirmo sem rodeios que estamos perante um daqueles discos que, embora não alterem o seu género, ficam gravados na memória das pessoas como um dos grandes, porque o é.

Justice - †

(electroclash, electro house, dance)

Melhores músicas: todo ele

Há uma razão para eu não especificar quais as melhores músicas deste disco. Simplesmente, porque não as há. Fantástico disco de estreia por parte deste duo francês, que segue as pisadas de outro. Estarão finalmente encontrados os sucessores dos senhores robóticos? Não que isso interesse muito, porque aconselho (obrigo, mesmo) a largar tudo o que se tem nas mãos e ouvir imediatamente este álbum. Façam o download, comprem-no, não interessa. O que interessa é que o ouçam. Mesmo.

Bloc Party - A Weekend In The City


(punk, indie rock)

Melhores músicas: Waiting For The 7.18; The Prayer; Hunting For Witches

Incluo-o porque estou indeciso, e em caso de dúvida gosto sempre de incluir e não excluir. As razões que ditam a minha indecisão são simples: depois de Silent Alarm que veio mostrar ao mundo que de Inglaterra vem melhor música que muita feita nos Estados Unidos, esperava-se mais. Esperavam-se depressões instantâneas ao som de Like Eating Glass, curadas logo de seguida com as guitarradas e batidas rápidas de Helicopter, ataques psicadélicos como os de She's Hearing Voices e Banquet, baladas como This Modern Love e Blue Light. Quer dizer, não se esperava um disco igual ao anterior, bem entendido. Mas esperava-se algo com a MESMA qualidade. A Weekend In The City não a tem, sejamos honestos. Mas tem alguma, e por isso, e por respeito também à banda de Essex, tenho que o referir. Por outro lado, depois de os ver tocar ao vivo por duas vezes este ano, no Coliseu dos Recreios e no Super Bock Super Rock, há alguma obrigatoriedade de os referir. Estão referidos; agora quer-se é que o próximo álbum seja melhor. Cá o esperaremos.

Clap Your Hands Say Yeah! - Some Loud Thunder

(alternativa, indie rock)

Melhores músicas: Goodbye To The Mother & Cover; Satan Said Dance; Some Loud Thunder

Para quem conhece a história destes rapazes, que enviavam por correio os seus próprios discos antes de ganharem alguma notoriedade, parece estranho que assim se passasse. Esta banda da Costa Leste dos Estados Unidos tem qualidade, muita mesmo. O seu regresso com Some Loud Thunder, depois de um disco de estreia homónimo, vem conquistar o seu espaço próprio no universo da música alternativa. Mesmo com a 'concorrência' de Neon Bible, este trabalho aguenta-se com bravura e firmeza: uma interessante abordagem com sonoridades muito próprias. Desde a batida electrizante que nos faz dançar de Satan Said Dance às guitarras ásperas em Some Loud Thunder (a música), passando pela canção de amor em Emily Jean Stock para a mulher do vocalista à melancolia de Goodbye To The Mother & Cover, este é um daqueles que não engana. Não é propriamente um disco alegre; mas um bom disco para ouvir quando se está com a cabeça cheia e se quer descansar.

Klaxons - Myths Of The Near Future

(new rave, indie, dance punk)

Melhores músicas: It's Not Over Yet; Isle Of Her; Gravity's Rainbow

Bem, o que dizer destes britânicos? O seu toque de irreverência (e impertinência) ao criarem uma sonoridade que tanto se pode dançar como propicia o início de mosh em concerto veio dar um pontapé nos paradigmas que tínhamos. Uma banda na sua estreia tinha sempre uns bons singles, uma ou duas músicas que ficariam como hinos da sua carreira; uma boa banda criava músicas que toda uma geração se lembraria daqui a largos anos numa qualquer festa em que passassem. E depois há os Klaxons. Uma estreia fantástica e que nos faz esperar por mais. Só para terem uma noção do quanto representa este disco, digo apenas que ganhou o prestigiado Mercury Prize, um prémio para o melhor disco britânico do ano, batendo concorrentes como Arctic Monkeys e Amy Winehouse.

LCD SoundSytem - 45:33


Bom, tecnicamente não devia incluir este disco aqui. Primeiro, porque não é de 2007; foi re-editado em 2007, depois de originalmente ter chegado ao público via download na iStore em 2006. Incluo-o por duas razões: primeiro porque é um bom disco. Segundo, porque me chegou às mãos em 2007, após a sua re-edição. James Murphy criou com 45:33, para além de uma música que dura (curiosamente) 45 minutos e 58 segundos (sendo 45:33 a duração do disco Alive 1997 dos Daft Punk; uma pequena homenagem), uma obra ao estilo de E2-E4 (da autoria de Manuel Göttsching), um disco que alterou a percepção da música electrónica, lançado no ano precoce de 1984. Uma obra pioneira para elogiar outra obra pioneira e de referência. De escutar com atenção as primeiras seis faixas que compõem a própria música 45:33 que inclui as samples usadas mais tarde em Someone Great e ainda Hippie Priest Bum-Out, uma interessante incursão pelos meandros do trance. Está ainda presente um mix (Onastic Dub Remix) da North American Scum, versão que foi incluída no CD desse mesmo single e que a tranforma completamente. E na minha opinião, traz-lhe grande valor acrescentado.

Queria ainda referir Sawdust dos The Killers. Um disco com b-sides de Sam's Town, raridades e algumas músicas novas (como a fantástica Tranquilize, que conta com a participação do histórico Lou Reed). Embora não um grande disco, um disco engraçado que vale a pena escutar com atenção.

Findo esta lista com um mea culpa: sei que não falei de Favourite Worst Nightmare dos Arctic Monkeys nem falei de Whatever People Say I Am, That's What I'm Not dos discos de referência de 2006. Isto acontece porque simplesmente nunca ouvi esses discos. Eu sei que parece uma falha grave (e sei que é) mas não o fiz (ainda) porque gosto de conhecer poucas bandas novas por ano. E este ano descobri muita coisa nova. Ficará para o ano.

Quero também referir aquele que, para mim, foi o grande momento musical do ano:



LCD SoundSystem - Yeah (Crass Version) tocada ao vivo no Festival Super Bock Super Rock dia 4 de Julho de 2007. Um orgasmo sensorial; penso que isto chega para descrever a loucura que se instalou no Parque do Tejo nessa noite.

Os grandes concertos a que assisti este ano:

LCD SoundSystem no SBSR em Julho;
Bloc Party no Coliseu dos Recreios em Maio e no SBSR em Julho;
The Gift na Queima das Fitas de Coimbra em Maio;
The Magic Numbers no SBSR em Julho (apesar de não ter estado com muita atenção);
Klaxons no SBSR em Julho e
The Jesus & Mary Chain no SBSR em Julho;
Os grandes concertos que não assisti (e que me lembrarei desta falha durante largos e amargos anos):

Arcade Fire no SBSR em Julho: tinha bilhete (passe de 4 dias) e até estava lá. Tinha acabado de assistir ao concerto dos Bloc Party e a minha boleia ia-se embora. Claro que tinha lá mais amigos mas todos os seus carros estavam cheios e não havia lugar para mim. Como ainda não conhecia Arcade Fire, pensei que não valia a pena da chatice de ter que voltar para casa de maneira desconhecida e por isso fui-me embora. Uma decisão que me arrependi quase imediatamente.

Clap Your Hands Say Yeah! no SBSR em Julho: para minha defesa, para além de ainda não os conhecer, actuaram a meio da tarde no dia de LCD SoundSystem numa altura em que, estando de férias, obviamente acordava a horas impróprias. Tenho pena, mas é uma daquelas coisas.

Arctic Monkeys (penso que em Julho) no Coliseu dos Recreios: mais uma banda que, por não os conhecer, não fui ver o seu concerto. E para adicionar à injúria, tinha um bilhete gratuito e muitos amigos meus foram ver esse concerto e tiveram a amabilidade de me dizer logo que perdi o grande concerto do ano. Enquanto agradeço a sua honestidade e candura, devo referir que o grande concerto do ano foi, sem dúvida, LCD no SBSR. Mas não interessa, foi mais um grande concerto que não vi. Por esta altura já devia ter a lição aprendida, mas não. Claro que não me lembro porque razão não fui ver, mas lembro-me perfeitamente (e persegue-me) que não era uma razão nada de especial. Foi mais uma daquelas coisas. Incorrigível, mas que para o ano se espera melhor atitude pela minha parte perante bandas desconhecidas.

Concluído o balanço deste ano musical, que nos trouxe coisas muito boas, coisas assim assim, coisas más e coisas que podiam (e deviam) ser francamente melhores, penso que podemos olhar com novos olhos (e escutar com novos ouvidos) o que aí vem. Seremos mais exigentes; afinal, este foi um ano de colheitas e qualquer coisa que venha aí tem a responsabilidade acrescida de ser pelo menos tão bom. Eu, pelo menos, sei que estarei mais aberto a novas sonoridades e que este ano há Rock In Rio Lisboa e Super Bock Super Rock. Por eles esperamos.

11.12.07

Razões ou Do Nome dos Príncipes

Há dias perguntaram a razão pela qual eu escolhi este nome para o blog, O Príncipe.

Imediatamente me veio à cabeça a História de Portugal, onde estamos repletos de figuras inspiradoras como D. João II, O Príncipe Perfeito e D. Duarte, O Rei Filósofo ou O Eloquente.

D. Duarte, que teve um curto reinado de 5 anos, fica na História Portuguesa como o filho mais velho de D. João I e que prosseguiu a política expansionista do seu pai para África. Uma das provas disto foi o constante apoio e financiamento ao seu irmão, o Infante D. Henrique, de forma a que Portugal pudesse continuar na senda de conquistas em África, como a de Ceuta em 14 de Agosto de 1415. Como membro da Ínclita Geração (os filhos de D. João I), tinha uma natureza filosófica. Escreveu tratados de assuntos tão díspares, desde política até montar a cavalo e vários livros de poesia. Coligia, na altura da sua morte, uma revisão do Código Civil de Portugal.

Creio que a melhor descrição deste Rei será a de Fernando Pessoa, na Primeira Parte da Mensagem, Brasão, III. As Quinas:

Primeira / D. Duarte, Rei de Portugal

Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.
Firme em minha tristeza, tal vivi.

Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.

Fernando Pessoa, das pessoas mais fascinantes que certamente já viveu, descreve assim como ele julga ter sido a personalidade de D. Duarte: um homem estóico, que se interessava certamente mais por outros assuntos que propriamente governar o Reino; mas, uma vez investido dessa responsabilidade, tomou o manto do Poder sobre os seus ombros e conduziu sabiamente os destinos do País. Morreu novo, da Peste, como os seus pais, mas certamente de consciência tranquila pelo seu dever ter sido cumprido. Note-se a homenagem que Fernando Pessoa lhe presta ao dizer que D. Duarte se manteve firme na tristeza de ser Rei, mas que o fez porque a isso estava fadado por Deus; o próprio Fernando Pessoa em que dentro de si lutavam diferentes personalidades e que certamente sofreria por isso.

D. João II ficou conhecido como o Príncipe Perfeito pela forma como governou: justamente, sempre procurando dar poder ao Povo, retirando-o das mãos da Nobreza. Relançou as políticas de conquistas em África como tinha feito o seu avô D. Duarte e tio-avô o Infante D. Henrique, criando condições para que Portugal se pudesse transformar num dos mais ricos países europeus da época. Revitalizou a economia, concentrou o Poder em si, patrocinou as viagens de espiões para África e Índia e manteve sempre no pensamento a ideia de que existiria um continente no Ocidente. Estas políticas, para além de trazerem um enorme sucesso a Portugal em séculos vindouros pois que se verificaram bem sucedidas, que lhe deram o cognome de Princípe Perfeito são talvez o espelho mais fiel de um príncipe perfeito na acepção de Maquiavel.

Mais uma vez, Fernando Pessoa faz uma descrição fantástica deste Rei em A Mensagem, ainda na Primeira Parte, agora no capítulo V. O Timbre:

Uma Asa do Grifo / D. João o Segundo

Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra--
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.

Seu formidavel vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.

Depois destas figuras, vem, então, O Príncipe. Obra de Maquiavel, O Príncipe é um tratado político sobre que tipos de Principados (regimes) existiam na altura (c. 1510) e da forma como tomar o Poder neles e mantê-lo. Descreve ainda que tipos de Príncipes (governantes e formas de governo) e as políticas que estes podem prosseguir para evitar que os seus súbditos se virem contra si.

É uma obra fantástica que ainda hoje é aplicável. Li-a há uns anos e releio-a agora, de forma a condensar conhecimentos. Existe uma versão anotada por Napoleão Bonaparte que possuo e que mostra-nos como influenciou a visão do Imperador Francês e os seus planos para a conquista da Europa. Recomendo-a a todos os que querem e precisam de uma fonte segura de conselhos sobre liderança, estratégia política e governação.

Perante todas estas influências que tenho, quer como património histórico quer como cultural, julgo que esteja explicada a razão pela qual me chamo O Príncipe.

É pela aspiração a ser melhor, a superar-me, a instigar o conhecimento e o crescimento, a liderar e a saber o que é esperado de mim que reconheço que para mim está destinado o manto do Poder e que a seu tempo será a minha vez de o usar. Quando isso acontecer, espero estar à altura dos meus ilustres antepassados e saber tomar o Poder da mesma forma que eles o fizeram: atento e de forma estóica para evitar a corrupção, mas ao mesmo tempo com justiça e sapiência.

3.12.07

O fim do Medo, o início da Esperança

Rejeitaram, sabiamente, os Venezuelanos, em referendo, a proposta de Chávez para a reforma constitucional daquele país sul-americano, que contemplava o fim dos limites aos mandatos presidenciais (que permitiria a Chávez eternizar-se no Poder), a redução da idade de voto de 18 para 16 (uma irresponsabilidade total; se uma pessoa com 16 não tem a maturidade para muitas coisas, porque há de a ter para votar?), entre outras coisas.

Sem estar a tergiversar acerca das cores políticas de cada um e, neste caso, sobre o Presidente venezuelano, a vitória do Não é um raio de Esperança a Democracia naquele país, onde se calam repórteres e televisões inteiras impunemente perante o silêncio da comunidade internacional. Parece que o petróleo da Venezuela continua a ser muito importante.

Se o resto do mundo se cala perante o que se passa na Venezuela, não o fizeram os homens e mulheres que saíram às ruas para festejar, sem medo, a vitória da Liberdade e da Democracia sobre a ignomínia, a repressão e o autoritarismo.

Foi bonito ver, antes do referendo, as multidões concentradas em Caracas no comício de encerramento do Movimento de apoio ao Não, liderada por estudantes e repórteres. Como diz este senhor, estas pessoas são as que estão na vanguarda da Liberdade e Democracia.

Tal como em Portugal, dia 25 de Abril de 1974, tal como na Venezuela, dia 2 de Dezembro de 2007. Pena que haja pessoas e partidos que neguem as evidências.

Mudando de tópico, mas continuando na política:

Um amigo meu criou um blog que servirá de observatório às Presidenciais dos EUA de 2008. Numa fase inicial, "observará" as primárias de ambos os Partidos (Republicano e Democrata). Este observatório, da JS, trará um lugar de debate e de reflexão; é demagogia dizer que estas eleições não nos afectam e importam directamente, tal como é demagogia fazer inferências acerca da mentalidade dos Americanos nos seus sentidos de voto partindo das preferências e tendências europeias e do resto do mundo.

Tentarei participar regularmente no debate que ali se fará, ao mesmo tempo que pugnarei pela imparcialidade.

Sei que não tenho escrito aqui nada; o último post já foi há quase um mês. A verdade é que tenho tido testes e trabalhos e outros compromissos que não tenho tempo para quase nada. Mas prometo que a partir de agora vou ser mais regular.